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segunda-feira, 23 de maio de 2011

Festa para os olhos e manjar para o paladar

Viver num outro país não é apenas a forma mais fácil para imersão de uma nova língua, mas de toda a cultura local. E se tratando da culinária, é preciso realmente viver como um nativo da região para descobrir as delícias do quintal que muitas vezes não fazem a festa em nossa mesa. Claro que nem tudo que é bom numa região vai ser boa na outra. Diz o ditado que o “sol nasce para todos”, mas a forma como ele incide sobre cada terreno, a qualidade da terra, a abundância ou escassez da chuva etc. vai interferir diretamente na qualidade de um produto. Por isso que o abacaxi, a banana, o mamão e a manga são mais saborosos no Brasil que na Europa. Porém, ao vir por estes lados de cá, abra a tua cabeça e dê uma oportunidade para algumas verduras e frutas que aqui fazem a alegria numa refeição. Acredite, são verdadeiros deleite ao paladar. Vamos aos “causos”:

Pimentão: Esqueça o gosto ácido daqueles que existem no Brasil. Aqui eles são doces*, saborosos e são comidos crus nas saladas, grelhado, refogado, recheado, frito, em conserva etc. Os mais consumidos são os amarelos e vermelhos.

Abobrinha verde: Não é aquela coisa verde, aguada e sem gosto que conhecemos. Tem sabor próprio, é doce (!) *, com a casca crocante e pequena. O italiano é tão apaixonado por elas que até as flores são devoradas. Devo confessar, eu também amo come-las cruas enquanto vou cortando para o preparo de algum prato.

Couve flor e cenoura: idem a abobrinha. Sobre a última, são incrivelmente doces* e a cor é viva, bem alaranjada mesmo.

Tomate: A infinidade é incrível e nem sei dizer quantos são. Basta chegar numa barraca de feira para ver que tem de todos os tamanhos e formatos. Como estamos na época de tomate, a cor vermelha predomina nas feiras. São brilhantes, suculentos e doces* (outra vez). Faz-se de tudo com esta gracinha. Salada caprese faz parte da refeição neste período do ano.

Azeitona: Outra coisa acida que eu não morria de amores, até eu vim pra cá e degustei a primeira azeita preta. Amor a primeira mordida. Mas as verdes também são ótimas. Vendidas de diversas formas, já vêem temperadas conforme o gosto. As produzidas na região da Puglia estão entre as minhas preferidas.

Cerejas: Vou repetir o jargão: “Impossível comer somente uma”. Existem vários tipos. Os italianos costumam fazer festas, le Sagre, no período das colheitas atraindo grande quantidade de turistas. As minhas preferidas são as marostica, aqui da região do Veneto, e tem a tradição da sagra desde 1933. No próximo dia 5 haverá a apresentação da produção local com premiação o melhor produtor. Entre os atrativos estão a distribuição de cestinhas para os visitantes da feira. A minha gula diz que eu vou!

Figo: A fruta, que na verdade é uma flor, é tão doce* que chega a dar estalinhos nos ouvidos quando a engolimos. E tem por tudo quanto é parte, tipo manga no Brasil.

Caqui: Nunca entendi a paixão da minha mãe por esta fruta até a primeira experiência em solo italiano. Existe o caqui mole e o duro e a minha preferência é pelo primeiro. Extremamente doce*, com a casca que é mais uma membrana fina tentando proteger aquela carne mórbida e suculenta. Pronto, deveriam trocar o posto de fruto proibido da maça pelo caqui. A árvore fica linda na época de frutos, totalmente pelada e aquelas "bolas" laranjadas enfeitando como uma árvore de natal. Infelizmente vai demorar até novembro para devora-los novamente.

Melão: Tentei lembrar de uma vez que gostei de comer esta fruta no Brasil e não lembrei. Já na Bota, mamma mia, que delícia. Os vindos do sul são melhores ainda. Tem os branquelos como conhecemos no Brasil, e os de carne alaranjada, divinos. No verão é muito comum comer presunto cru com melão, é uma refeição bastante refrescante.

Berinjela: Ok, é a única coisa que não gosto mesmo. Nem aqui nem no Brasil. Acho que em nenhum outro lugar vou gostar. Ma va bene, já tem tantas outras coisas para gostar que, se esta ficar de fora, não faz mal.

*Não sei explicar o termo. Tem que vir aqui e provar!... Hahahahaha sacaniei.

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Ciao a tuti

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Culinária italiana

Já falei varias vezes da cozinha italiana que eu amo. Para quem está do outro lado do Atlântico e nunca esteve por aqui não vai entender a minha paixão pela culinária deste país. Dizer que a França e Itália tem alta gastronomia é chover no molhado, frase feita. Até porque não são todos que gostam de comer algo com um gosto sutil como é a grande parte dos pratos. Tantos preferem algo mais marcante com mistura de temperos e que resulta numa “Marquesa de Sapucaí” na boca. Nada contra, eu também amo mas sou uma curiosa e aprecio tudo o que é bom.
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Por diversas vezes encontrei brasileiros fazendo turismo na Bota e estavam escandalizados porque só tinham comido mal. Uma desilusão total. Outras vezes vi alguns falando mal da comida “sem gosto”, da pizza “sem recheio” ou com “verdura” etc. Aonde erraram? Os do primeiro grupo pecaram por, ao planejarem as suas viagens, não estavam atentos em descobrir em qual lugar comer, procurar dicas de bons restaurantes e saber qual a comida típica de cada região. Por exemplo, não é porque você esta na Itália irá comer uma boa pizza em Venezia. Aliás, nesta cidade só se come bem quem a conhece realmente para saber onde estão os restaurantes não turísticos. Mas a questão não é somente Venezia. É em qualquer lugar. Eu mesma, morando há três anos aqui, vou ao posto justo para tomar um bom caffè arábica, comer uma pizza, bruschetta, um baccalà alla Vicentina, ou sarda al suor e via!(= e vai!). O secundo grupo erra porque vai para outro país sem estarem abertos ao novo. Então comparam tudo e, claro, a referência Brasil acaba sempre ganhando.
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Pensando nisso, e nos meus leitores de cinco pessoas, vou criar um novo marcador Culinária. Aqui vou falar sobre pratos regionais, características particulares, curiosidades, da benedetta dieta mediterrânea, receitas e coisinhas que como por ai sempre com algum tipo de informação pois isso vai sempre bem.
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E, para começar com o pé direito vou ensinar um prato simples, ótimo para o verão e que vai benissímo acompanhado de um vinho frisante ligeiramente frio. Aos que amam camarão eis o “Spaghetti con gamberi ao pomodoro”.
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Para uma pessoa:
80g de espaguete
6 camarões grandes (podem ser inteiros ou limpos)
6 tomates cereja cortados ao meio
1 dente de alho cortado ao meio
50ml de vinho branco
80ml de molho de tomate (melhor o feito em casa)
Azeite de oliva extra virgem (o suficiente para dourar o alho)
Sal, pimenta do reino, folhas de manjericão picadinhas

Modo de fazer
Em fogo baixo coloque numa panela larga o azeite e o dente de alho cortado ao meio. O deixe amolecer sem fritar. Acrescente o camarão e o faça dourar levemente. Acrescente o vinho branco e o deixe evaporar. Quando não houver mais resquício do vinho, meta o molho de tomate e os tomates cereja, o sal e deixe cozinhando por uns 5 minutos. Depois, jogue fora o alho e separe a parte os camarões e os tomates cerejas que estarão bem teneros. Coloque o espaguete, já cozidos em água salgada, neste molho, acrescente um pouco de pimenta e manjericão. Coloque num prato plano e, por cima, os camarões e tomates de forma ornamental. E ...buon appetito!
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Obs.: para ficar mais bonito (porque os olhos também querem a sua parte) eu coloquei um pouco de queijo mole no meio do “ninho” de espaguete com os camarões em volta.