Inspirada neste
post da
Flavia Mariano, hoje vou falar sobre a TV italiana.

Nos
auros tempos da faculdade ouvia alguns professores dizendo que a TV européia (com ou sem acento?) tinha uma péssima qualidade, com
exceção da BBC londrina. Eu não conseguia acreditar pois, como muitos brasileiros, sempre pensava que o que vinha da Europa tinha uma qualidade, digamos assim, superior. Quanta ignorância! Foi necessário chegar a "Bota" para ver que o mito, da falta de qualidade televisiva, era real.
A Itália tem vários canais de TV aberta. Três pertencem ao primeiro ministro italiano,
Sílvio Berlusconi. De cara você percebe que os canais são usados como instrumentos políticos.
Abre parênteses.
Berlusconi consegue ser pior presidente que o Lula e o G.W. Bush. Este assunto fica para outro post!
Fecha parênteses.Para não me estender muito, de modo geral è assim que a banda toca aqui. E digo logo que não è no ritmo da
tarantella. Quem busca algo diferente para assistir, mudar de programação é passar raiva. De um canal para o outro, o que troca é apenas apresentador. Os formatos são os mesmos. As manhas são preenchidas com uma simulação de audiência de júri. Funciona assim. Duas pessoas, que tem uma questão jurídica, vão ao programa apresentar seu problema a um juiz que ouve as partes. Quando este se retira para pensar o assunto, e depois retornar com um
veredito, a plateia (agora sem acento) inicia o debate. É o momento do
show de aberrações. Se já não fosse o cúmulo uma pessoa ir a TV e se expor desta forma, ainda tem um grupo fixo que se apresentam para questionar/discutir a causa. As banalidades ditas
são incríveis.
2° abra parênteses.
Entre aqueles que estão nesta plateia há um brasileiro. A figura pinta o Brasil como o país mais justo que existe na face da terra. Em uma causa, uma italiana queria um
ressarcimento de seu ex companheiro, um africano, porque, segundo ela, o
relaciomento que os dois tiveram afastaram-na de sua família que era contraria ao casamento dos dois. O motivo era a cor do homem. Entre as excentricidades do brasileiro, ele foi capaz de dizer que no Brasil não havia este tipo de preconceito! Qual Brasil que ele se referia? Só pode ser aquele que é escrito com Z, braZil. Naquele em que eu sou nata, o racismo é tão grande que é necessário leis para proteger pessoas da raça negra.
Fecha parênteses.A presença quase obrigatória de uma plateia è uma marca registrada dos programas italianos. Em outro canal, tem um que faz cotação do preço de comida pelo país. Para cada
abobrinha, repolho, limão, laranja, peixe etc, que o apresentador fala, vem seguido de aplausos. E a música ridícula que são feitas em homenagem a comida?
Algumas apresentadoras dominam o horário da casa. No Canal 5 (do tio
Berlusconi), Barbara
Orso (não sei se é assim que se escreve o nome) tem programação fixa de manhã e a tarde. O assunto è falar de celebridades, futilidades e as outras "
dades" possíveis.
Eita, ia esquecendo das narrativas de futebol. Dá sono. Nenhuma emoção. Tudo bem que Galvão
Bueno è enjoativo mas posso garantir que é melhor.
Tudo "muito" informativo a
ponto de proporcionar um questionamento/debate intelectual
compreensível a
Homer Simpson.
E o jornalismo? Ah, vamos deixar isto para outro
post porque a historia é longa.
Bacio