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quarta-feira, 18 de maio de 2011

Pobres....

Ontem um senhor me pediu esmola no centro de Treviso. Por frações de segundos me lembrei do Brasil e a situação de tantos que mendigam pelas ruas. Depois prestei atenção naquele homem. Dizia ter 97 anos e precisava de ajuda para se sustentar. Algo nele era diferente. Ele tinha porte elegante. Embora vestido de forma simples sabia vestir bem. E usava um Rayban Aviador. Dei algumas moedas. Segui meu caminho mas continuei olhando para trás para ver se alguém mais dava alguma coisa. Todos eram indiferentes. Doeu meu coração ver aquela cena.

Mais tarde, ao contar o ocorrido a uma conhecida, fiquei sabendo que aquele senhor foi um homem muito rico na cidade e que perdeu tudo (algo relacionado aos filhos) e que hoje vive de ajuda da prefeitura.

Não sei que tipo de pessoa ele foi. Fernanda Young, com suas declarações controversas, certa vez disse a velhice beatifica as pessoas, independente do mau caráter que foi durante toda a vida. Não estou dizendo que aquele senhor foi uma péssima pessoa, o fato é que fiquei sensibilizada com a situação dele como se tivesse sido uma pessoa boa toda a vida.

Pedir dinheiro aos outros coloca o ser humano numa postura inferior, de dependência. Ao vir para a Itália imaginei que não veria mais estes episódios. Ledo engano. Aqui também se vê estas cenas. Passei o dia com a imagem na cabeça.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Higiene italiana!


No Brasil o chuveiro é o astro rei do banheiro. Na Itália é o bidê. Como? Isso mesmo. Aquele vaso que tem uma torneirinha igual o que tem na casa da sua tia-avó que mora lá no interior de Minas. Lembrou? Pois então, no banheiro italiano não falta esta peça visto que o povo tem o bom costume de lavar-se depois de fazer suas necessidades fisiológicas. Para nós que somos acostumados a pensar no europeu com povo sujo e que não toma banho aí vai uma bela lição de limpeza e saúde corporal. O quê? Você acha que o papel higiênico limpa realmente? Então procure um proctologista para ele te explicar a diferença entre um e outro. Logo, logo você muda de idéia. Ah, tem as famosas duchinhas! Então podem me explicar porque antes de tomar banho na banheira se faz uma ducha primeiro e para lavar o ânus, ou bumbum se achar mais gentil, o sujeito acha que o vaso sanitário, aonde ele terminou de fazer as necessidades básicas, é limpo o suficiente para fazer a tal higiene?
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Lavar as “partes” no bidê é cômodo. E isso movimenta uma indústria na Bota. Seguindo a este costume vem associado às vendas dos sabonetes íntimos e toalhas em tamanhos específicos que ficam dependuradas em posto próprio (se você estiver vindo para cá e for à casa de um italiano, cuidado para não secar as mãos na toalha errada, viu!).
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O que me encanta são os sabonetes líquidos que são encontrados com diversos convenientes a mais. As escolhas vão mais pelas outras finalidades que o simples limpar, claro. Assim existe a opção que controla o Ph da vagina, o refrescante, o purificante, o controlador de odores, o amaciador (!) etc. Confesso que viajo na frente da prateleira. Tem para homens e mulheres.
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Aì eu fico pensando: é necessário mesmo ver o mundo com os olhos para que a ignorância caia por terra. Afinal, cresci num país que se gloria de tomar banho todos os dias e acreditar que o europeu é sujo e não toma banho. Então, quem é mais higiênico: o brasileiro que (dizem) toma banho todos os dias, mas tem o r¨%*# sujo pois apenas passa o papel ou o italiano, que embora não use o chuveiro todos os dias, lava as partes íntimas além dos pés, axila, braços e rosto?
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Ah, só para não deixar passar em branco: nas casas italianas os banheiros têm janelas! Isso mesmo, JANELAS. Nada daquelas entradinhas de ar minúsculas como somos habituados. Independente de ter mandado um defunto na descarga abaixo você não sente o constrangimento de outra pessoa entrar no banheiro e encontrar aquele odor pavoroso. Simplesmente se abre a janela e deixa circular o ar.
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Ciao a tutti!

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Sciopero = Greve


Na primeira vez que ouvi a palavra estava na estação de Forlì. Ao chegar a minha vez a atendente me disse: "C'è sciopero". Olhei sem ententender nada e liguei para minha prima para saber do que se tratava pois eu entendia shopping. Ai descobri que os maquinistas estavam em greve. O interessante foi descobrir que somente àqueles dos trens regionais (mais baratos) estavam parados. O InterCity e EuroCity funcionavam perfeitamente.
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Este episódio sempre me vem em mente quando sei que terá sciopero, mas o mais divertido é saber que na Itália existem horários para paralizar tudo e outro para haver atividade. Por exemplo, hoje os motoristas de onibus estão em greve e os horários ficaram assim:
Até às 9h e das 12h às 15h - funcionamento normal
De 9h às 12h e 15h até o fim do turno - greve
Não é engraçado esta coisa? O povo faz greve mas interrompem um pouquinho para trabalhar!
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Ah, para quem quiser aprender um "cadim", schiopero se pronuncia chiópero!

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Depois do bom velhinho agora é a vez da bruxa do 71


Ou melhor dizendo, da Befana!
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Todos os anos, no dia 06 de janeiro, os italianos comemoram a Epifania, isto é, celebração cristã que acontece 12 dias após o Natal. Porém, como no dia natalino, o personagem principal não tem nada a ver com as tradições da igreja católica. Desta vez quem vem alegrar a criançada, ou não, é uma bruxa. Segundo a tradição, a Befana trás doces na noite do dia 05 para o 06 para aqueles que se comportaram bem durante o ano. Quem fez mal criação ganha carvão!
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É muito esquisito pensar neste costume. Além das crianças passarem o ano querendo saber se Papai Noel vai lembrar de trazer os presentes, ainda sofrem com a pressão psicológica de uma bruxa que porta doces. Vai entender. E os ritos são iguais os do Natal. No mercado são vendidas meias, para serem dependuradas nas lareiras, que serão preenchidas pela velha. Ah, e ela entra também pela chaminé. Que eu saiba bruxa sempre foi má e nunca deu nada para ninguém. A não ser a da Branca de Neve, mas esta não conta pois a maça era envenenada. Enfim, em troca as crianças deixam um prato de mandarino, ou laranja, e um copo de vinho. Na manha seguinte, junto com os chocolates, doces e balas, encontram o prato vazio com as digitais da Befana.
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Apesar de não saberem quando começou esta lenda os italianos cantam uma musica em memória da Befana:
La Befana vien di notte (A Befana vem de noite)
con le scarpe tutte rotte (com os sapatos todos gastos)
col cappello alla romana...(e com chapéu à romana)
VIVA VIVA LA BEFANA! (Viva viva a Befana)
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E os pequenos ainda sonham com a velhinha. Mamma mia! Melhor ficar de dieta.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

De matar italiano de raiva!

Li em um blog, que não lembro qual, o que faz um europeu morrer de raiva com um estrangeiro. Achei divertido e resolvi fazer um post sobre o que faz matar de raiva um italino no dia a dia. Divirta-se!
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O italiano quase morre:
*Quando vê alguém quebrando uma pasta para cozinhar. Pior, se já no prato corta-la com a faca ao invés de enrola-la;
*Misturar todas as comidas no prato (ok, eu tbem detesto isso!);
*Quando alguém diz que qualquer outra comida é melhor que a italiana;
*Quando nós, brasileiros, dizemos que o nosso cappuccino é melhor que o deles. Aqui não tem chantily sobre o café;
*Quando dizemos que eles gritam ao invés de falar ou que são extremamente estressados (para não dizemos grossos);
*Quando ouvem que eles não sabem dançar. Nas discotecas você vê um monte de gente sacudindo o corpo com as mãos para cima;
*Quando alguém diz que tártaro na boca é falta de higiêne oral correta. Eles acreditam que é uma tendência predisposta que alguns tem. Na verdade, parece que o país inteiro tem esta predisposição;
*Quando alguém diz que que as mães italiana são exageradas e superprotetivas. Eles logam associam às mães do sul do país;
*Quando dizemos que o futebol italiano é feito de estrangeiros;
*Quando ouvem que o bom cinema italiano morreu e eles vivem da glória passada;
*Quando ouvem que os filhos italianos depende dos pais até os 40 anos e não saem de casa pois nao conseguem se sustentar;
*Quando ouvem que as mulheres italianas não penteiam o cabelo depois de fazer a escova;
*Quando dizemos que a qualidade Made Italy é inquestionável sobre a indústria de calçados mas que o gosto é duvidoso;
*Quando dizemos que as praias não são bonitas. Logos eles citam as praias do sul da Itália para se renderem.
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Se eu lembrar de mais alguma coisa eu posto mais tarde. Se alguém passar por aqui e quiser deixar uma observação, eu acrescento com devidas honras.
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Ciao!

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Il Giorno della Memoria - Auschwitz

A foto é da Adriana e do Aron.

Há 65 anos, em 27 de janeiro de 1945, os soviéticos abriram os portões de Auschwitz. Praticamente, no pior senso possível, aquela seria uma Caixa de Pandora onde o mundo conheceria as barbaridades cometidas pelos nazistas no período da Segunda Guerra Mundial. Naquele campo de concentração, como nos tantos outros existentes, foram cometidos crimes contra hebreus, ciganos, deficientes mentais e físicos, homossexuais e qualquer um que fosse considerado fora do padrão de “excelência” da raça ariana.

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Tal ato fez desmoronar, diante dos olhos do mundo, a imagem de uma Europa avançada e detentora dos maiores conhecimentos científicos até aquela época. Estes foram usados para aniquilar e destruir pessoas e inteiros povoados.

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Em 2000, o Parlamento Italiano instituiu o Dia da Memória. Uma década depois, o dia se transformou num momento de reflexão do que foi este extermínio que muitos chamam, erroneamente, de Holocausto. Explico. Este termo está associado a sacrifício a Deus. E, o que houve, nada está relacionado a Deus. Fazendo uso da expressão correta, Shoah, que significa “catástrofe” e que é utilizada para designar o genocídio realizado pelos nazistas e seus aliados.

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Tenho assistido a diversos depoimentos de sobreviventes de Auschwitz e me pergunto: até onde é possível o homem chegar em sua insanidade? Dos que viveram o horror e estão vivos, em seus olhos não existe felicidade por ter escapado na morte, nem alivio. Há um pavor, uma angústia, uma tristeza tatuada na retina de seus olhos que somente desaparecerão quando estes morrerem.

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A humanidade ainda não aprendeu com a história e ainda existem povos sendo exterminados com a mesma crueldade da Segunda Guerra. Vale a reflexão!

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Uns dos lugares que pretendo conhecer é justamente Auschwitz. Para saberem mais, leiam o que a Adriana escreveu sobre o lugar numa visita recente ao campo de concentração. Clique aqui!

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

A TV que (des)educa

Inspirada neste post da Flavia Mariano, hoje vou falar sobre a TV italiana.

Nos auros tempos da faculdade ouvia alguns professores dizendo que a TV européia (com ou sem acento?) tinha uma péssima qualidade, com exceção da BBC londrina. Eu não conseguia acreditar pois, como muitos brasileiros, sempre pensava que o que vinha da Europa tinha uma qualidade, digamos assim, superior. Quanta ignorância! Foi necessário chegar a "Bota" para ver que o mito, da falta de qualidade televisiva, era real.

A Itália tem vários canais de TV aberta. Três pertencem ao primeiro ministro italiano, Sílvio Berlusconi. De cara você percebe que os canais são usados como instrumentos políticos.
Abre parênteses.
Berlusconi consegue ser pior presidente que o Lula e o G.W. Bush. Este assunto fica para outro post!
Fecha parênteses.

Para não me estender muito, de modo geral è assim que a banda toca aqui. E digo logo que não è no ritmo da tarantella. Quem busca algo diferente para assistir, mudar de programação é passar raiva. De um canal para o outro, o que troca é apenas apresentador. Os formatos são os mesmos. As manhas são preenchidas com uma simulação de audiência de júri. Funciona assim. Duas pessoas, que tem uma questão jurídica, vão ao programa apresentar seu problema a um juiz que ouve as partes. Quando este se retira para pensar o assunto, e depois retornar com um veredito, a plateia (agora sem acento) inicia o debate. É o momento do show de aberrações. Se já não fosse o cúmulo uma pessoa ir a TV e se expor desta forma, ainda tem um grupo fixo que se apresentam para questionar/discutir a causa. As banalidades ditas são incríveis.

2° abra parênteses.
Entre aqueles que estão nesta plateia há um brasileiro. A figura pinta o Brasil como o país mais justo que existe na face da terra. Em uma causa, uma italiana queria um ressarcimento de seu ex companheiro, um africano, porque, segundo ela, o relaciomento que os dois tiveram afastaram-na de sua família que era contraria ao casamento dos dois. O motivo era a cor do homem. Entre as excentricidades do brasileiro, ele foi capaz de dizer que no Brasil não havia este tipo de preconceito! Qual Brasil que ele se referia? Só pode ser aquele que é escrito com Z, braZil. Naquele em que eu sou nata, o racismo é tão grande que é necessário leis para proteger pessoas da raça negra.
Fecha parênteses.

A presença quase obrigatória de uma plateia è uma marca registrada dos programas italianos. Em outro canal, tem um que faz cotação do preço de comida pelo país. Para cada abobrinha, repolho, limão, laranja, peixe etc, que o apresentador fala, vem seguido de aplausos. E a música ridícula que são feitas em homenagem a comida?

Algumas apresentadoras dominam o horário da casa. No Canal 5 (do tio Berlusconi), Barbara Orso (não sei se é assim que se escreve o nome) tem programação fixa de manhã e a tarde. O assunto è falar de celebridades, futilidades e as outras "dades" possíveis.

Eita, ia esquecendo das narrativas de futebol. Dá sono. Nenhuma emoção. Tudo bem que Galvão Bueno è enjoativo mas posso garantir que é melhor.

Tudo "muito" informativo a ponto de proporcionar um questionamento/debate intelectual compreensível a Homer Simpson.

E o jornalismo? Ah, vamos deixar isto para outro post porque a historia é longa.

Bacio