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sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Il caldo italiano (o calor italiano)


Desde o último sábado a Itália vive uma onda de calor que têm feito várias vítimas principalmente entre os idosos e crianças. A sensação abafada nas cidades chegou justamente no retorno das férias o que deixa muitos italianos desesperados no momento de ir trabalhar. Para mim, um dos piores momentos é a noite para dormir. Sem ar condicionado, usando apenas o ventilador, não consigo dormir. Do pouco que consigo, é um sono que não descansa. Transpiro toda a noite. Os cabelos acordam molhados. Se alguém disser que europeu não sabe o que é o calor do Rio 40° posso dizer que está enganado. Conhecem sim. Como as paredes das casas mais antigas são largas, os ambientes internos mantêm a temperatura quente. Sem ar fresco ventilado, o jeito é fechar as janelas e manter as taparelas baixas.

Claro que a temperatura alta também serve como argumento para começar uma conversar com o vizinho. Igual em qualquer parte do mundo. A diferença é que aqui sempre termina dizendo: Vedrai che presto cominciamo a lamentare del fredo! (Vai ver, daqui a pouco começamos a lamentar do frio!). Melhor assim pois não estou mais agüentando a temperatura de 37° dos últimos dias.

E o Meteo.it traz uma boa notícia: está previsto, para amanhã, chuva e temperatura de 23°. E toda a semana com termometro abaixo dos 30°. Aleluia! Contagem regressiva para o Outono.

Baci

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Ordem e progresso... na Itália


Acabo de voltar do supermercado e me dei conta que há tempos queria falar como é fazer compras por aqui. A palavra de ordem é... ordem. Para começar não existe tantos funcionários rodando dentro do supermercado a disposição do cliente. Já sabendo disso todos colaboram de forma a manter o bom funcionamento e atendimento geral, que já não é uma Brastemp. E carrinho de compra sempre faz uma bagunça. Por aqui não pois quem pega um para utilizar precisa "pagar" para isso tendo o dinheiro de volta no moemnto da devolução. Como? Os carrinhos ficam presos uns aos outros por meio de uma corrente com um gancho, como na foto acima. Para liberar-lo é preciso enfiar uma moeda de 1€. No final, para não perder dinheiro, a própria pessoa tem que levar o carrinho no mesmo lugar aonde pegou, enfiar o gancho na posição contrária e, ecco! , livre com o dinheiro na mão.
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Alguns podem pensar que 1€ não custa nada portanto pode abandonar o carrinho no estacionamento. Aí entra a questão mais interessante deste discurso, a mentalidade italiana. O povo da Bota vive o ditado "de grão em grão a galinha enche o papo" literalmente. Isto se reflete de forma tão natural no modo de viver que ninguém pensa em dar, a um cliente, bala como troco. Mesmo que seja apenas 0,01€ (as moedas funcionam muito bem!).
Isto porque aqui dinheiro têm valor. Para o italiano aquele dinheiro que se deixa para trás (no supermercado ou pagando estacionamento quando se pode usar bicicleta, por exemplo) significa uma quantia X que ele perde e que poderia ser usado para comprar uma roupa, pintar a casa, fazer uma viagem, trocar o pneu etc. E assim cada um sabe quanto realmente custa cada coisa.
E segue a vida.
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Ciao!

sábado, 2 de julho de 2011

Das comparações Brasil x Itália

Sempre fiz duras críticas a alguns maus hábitos de higiene italiana como o fato da mesma mão que pega o pão também recebe o dinheiro no caixa da padaria. Esta semana, no entanto, eu fui chamada a atenção pela falta de higiene brasileira com a venda de carnes. Uma italiana falava do seu amor pelo Brasil, do clima, das pessoas, da alegria etc., mas não deixou escapar que ficou horrorizada de como a carne é exposta nos mercados (feiras). Ri e concordei. É o tipo de coisa que não dá para dizer que não é bem assim.

É isso mesmo, no Brasil as pessoas compram carne nas feiras aonde moscas sobrevoam, tem poeira de tudo quanto é lado, gente passando de baixo para cima e ali do lado ainda tem porco, pato e galinhas vivas para serem vendidos. Sem contar que o chão em volta é uma nojeira. Nem quis explicar que no Brasil existe o hábito de lavar a carne antes de prepará-la. Do lado de cá ninguém ia entender isto visto que o controle de higiene, com as carnes, é altíssimo, as pessoas compram a parte que desejam prontos para o preparo. Explicam que lavar a carne antes tira o gosto.

Alias, o preparo desta comida é algo diferente do que conhecemos no Brasil. Nada de colocar sal ou algum tempero antes para pegar sabor. A carne por estes lados não são saborosas como as nossas, talvez venha daí a despreocupação em não lavá-las antes do preparo, e aqui se gosta de sentir o gosto delas. Então, um simples bife é colocado na panela com pouquíssimo óleo para uma cotura breve, nada de tostar, quase ao sangue e somente quando está no prato é que coloca sal e temperos. Para dizer a verdade eu gosto.

Já que estou falando de comida, semana passada fiz bruschettas de pomodoro e basilico. Boooommmm. Também fiz brigadeiro para o aniversário de um dos meninos que trabalho. Fui aplaudida pela delícia preparada.

Hoje, depois de voltar da feira, preparei meu almoço: sardinhas assadas (com um fio de azeite, orégano e sal) e batatas com salsinha. Como fruta, melão.

E agora é descansar um pouquinho, esperar o sol abaixar e ir ver o Saldi, nada mais é que a liquidação que todas as lojas fazem para queima de estoques, que começa hoje. Tem data para começar e acabar. É a época justa para comprar aquilo que estava com os preços nas estrelas.

Se fosse para resumir o que sinto neste momento eu diria: Amo muito tudo isso.

Ciao a tutti e a doppo!

terça-feira, 31 de maio de 2011

Temperatura aumentando

Foi dada a largada para o verão 2011. Na TV as pautas de sempre: academia, alimentação e hidratação, perder peso, biquíni, praia, férias etc. Para quem não conhece pode imaginar que é igual ao Brasil, mas não. O inicio do verão na Itália é um fenômeno interessante a ser observado e como influencia as pessoas. Surge uma atmosfera diferente de como se todas as pessoas fossem sair de férias e estão se preparando para isso. De uma hora para outra não importa mais o que o Berlusconi faz, se o Milan vai jogar contra o Inter, se a Ferrari não está bem na F1. Importa somente a praia, mesmo que seja alguma horrível como a de Jesolo (leia-se Iesolo), ou se vai fugir dela e ir em direção das montanhas.

Eu gosto deste clima de férias. Para quem vai é hora de recarregar as energias, quem fica desacelera a vida. As cidades (exceto as de praia) ficam vazias, é possível achar estacionamento no centro, andar de bicicleta é mais tranqüilo, enfim parece que tudo entrou em câmera lenta.

Este ano eu vou passar as semanas de Junho e Julho na pavorosa Jesolo com a família para a qual sou baby siter. Feliz da vida eu não estou mas vou tentar aproveitar pois de limões se fazem limonadas, certo? Se o humor é dos bons se faz é uma boa caipirinha!..rs

E no Brasil o friozinho chegando.

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Mudando de assunto para contar uma ótima notícia: hoje eu peguei o meu documento (permesso) renovado para mais dois anos! Ufa, menos uma coisa para pensar.

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Ciao a tutti!

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Coisinhas

Vi em outro blog, achei legal a idéia e vou fazer aqui: a quantidade de anos contados em formas de coisinhas aleatórias sobre a minha vida. Vamos là!

  1. Nasci branca e com poucos cabelos, hoje sou morena e continuo com poucos cabelos;
  2. No dia do meu aniversário minha mãe só me dá os parabéns depois das 18h, hora do meu nascimento;
  3. Minha fé em Deus determina o meu caráter e personalidade;
  4. Minha cor favorita é o alaranjado, mas para roupa eu vou com azul ou rosa forte;
  5. Meu xodó é a minha cachorrinha Penélope. Por causa dela eu diminuí o consumo de carne vermelha. Tenho dó das vaquinhas;
  6. Até o fim do segundo grau eu fiquei de recuperação, em todos os períodos, em Matemática;
  7. Não durmo com as portas do guarda roupa abertas;
  8. Preciso de oito horas de sono por dia;
  9. Durmo com um travesseiro no meio das pernas;
  10. Sou mineira apaixonada. Acho que o céu de Minas é mais azul, a vegetação mais verde, as mulheres mais bonitas, a comida mais gostosa, sei cantar até o hino do Estado;
  11. Já amei duas vezes na vida. Em uma delas vivi uma história como eu sempre sonhei;
  12. Perdi contato com a minha melhor amiga por mais de 12 anos, nos reencontramos por meio da internet, nos vimos ao vivo uma vez, mas nos falamos todos os dias, via net. Mais presente na minha vida, impossível;
  13. A internet trouxe grandes presentes na minha vida em forma de pessoas;
  14. Minha comida preferida é peixe e frutos do mar. Não consigo fazer outro pedido que não inclua isso no meu cardápio;
  15. Tive letra bonita, redonda, quase desenhada, até entrar na faculdade;
  16. Gosto de sorvete de frutas, cappuccino e tudo o que tem café;
  17. Ouço música constantemente. Para cada momento da minha vida existe uma música certa;
  18. Tenho um irmão;
  19. Sou flamenguista;
  20. Todos os dias eu leio vários blogs/sites sobre casamento;
  21. Sou apaixonada por fotografia;
  22. Não sei nadar apesar de ter morado em cidade de praia por 16 anos;
  23. Tenho 23 pintinhas no rosto, e não da para perceber;
  24. Acredito no verdadeiro amor;
  25. Sou desafinada;
  26. Tenho gastura de talco;
  27. Minha coragem é um pouquinho maior que o meu medo;
  28. Gosto de números ímpares;
  29. Lambo a tampinha do iogurt;
  30. Preciso de um canto para deixar tudo bagunçado, geralmente meu guarda roupa;
  31. Prefiro ser carona à motorista;
  32. Sou aventureira;
  33. Não ligo para dinheiro;
  34. Sou positiva diante da vida.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Quem acha um amigo acha um tesouro


Já um provérbio bíblico que diz que “há um amigo mais chegado que um irmão”. Recentemente ganhei uma nova e grande amiga. Ela tem passado seis meses na Itália de férias. Neste meio tempo tem rodado por lugares incríveis, vendo o mundo com os proprios olhos como sempre desejou conhecer, enquanto descobre os prazeres de viver à italiana. Fomos apresentada por uma amiga em comum e desde as primeiras conversas no MSN a afinidade foi incrível. Quando nos encontramos era como se fossemos amigas de infância. A mesma postura diante da vida, a mesma fé em Deus, o mesmo gosto musical, a inteligência particular. Diferente é o sotaque. Ela é uma potiguar, com um falar forte que os nordestinos têm. E cozinha muito aliás, é uma chef nas horas vagas em Natal. O seu nome, Geórgia, pronunciado em italiano é um dos poucos nomes femininos que gosto.

Com ela veio o olhar apaixonado pelo Brasil. Três anos longe de casa eu já estava me esquecendo da alegria que temos de forma tão natural no nosso dia a dia. Vê-la rindo para qualquer coisa, sua segurança diante das questões da vida me faz ter alegria de ser brasileira. Para quem pensa que o Brasil não tem nada de bom, que tudo aí é ruim, posso te dizer que no restante do mundo existem problemas semelhantes. Tudo depende da forma como os enfrentamos. Não estou banalizando a violência, apenas creio que ela não pode tirar a beleza da positividade que o brasileiro tem diante da vida.

Agradeço a Deus por Ele sempre colocar presentes em forma de pessoas na minha vida. Com a "Moranguinho" (sim, parecem muito) conversamos sobre coisas particulares e íntimas, falamos sobre planos futuros, vibrou ao ver que tomei uma decisão muito importante para mim, vai me fazer um grande favor quando chegar ao Brasil e, mais importante, ganhei uma auxiliadora em orações.

Juntas conhecemos Trentino-Alto Adige (e constatamos que os controladores e policiais mais lindos estão naquela região), a apresentei Treviso, combinamos de ir a Como e planejo que ela volte aqui antes de ir embora para irmos a Sirmione e a Trieste. Esqueci de dizer que ela é o meu ideal de companhia de viagem, e não só. Não é fresca, topa qualquer parada, pode andar feito camelo no deserto e é capaz de achar o máximo cada grão de areia sem lamentar a falta de água, gosta de comer bem, ama cultura e é positiva.

Enfim, hoje ela está na Grécia aonde permanecerá por 15 dias. Enquanto isso eu permaneço aqui ouvindo os louvores que ela deixou no meu PC e que me tem feito tanto bem.

Nesta manhã eu tenho apenas a dizer: “Obrigada meu Deus por mais um belo presente que me deste”.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

A parte ruim do lado de cá

Difícil começar este post.
Uma das coisas ruins em escolher viver longe da sua origem, da família, é quando alguém morre. A distância é proporcional ao sentimento de impotência, que é comum nesta situação, mas aumenta pelo fato que você sente a dor sozinho. Não tem como apoiar os demais, nem mesmo ser apoiado. Comprar passagem? Consegue chegar a tempo do funeral? E o trabalho? E os documentos? A mãe está bem? E a "vó"?
Nada. Somente a tristeza por saber que a tia mais presente na minha vida não está mais entre nós.
Eu continuo aqui mas com os pensamentos lá, sofrendo a despedida invisível e pedindo a Deus por minha avó, mãe e primos.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Túnel do tempo

Foto: 1000imagens, por Nuno Queiroz

Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos. (Fernando Pessoa).

Há três anos atravessei o Atlântico em busca de mim mesma. Achei-me.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Alguém quer um autógrafo?


A Flávia Mariano resolveu contar a minha saga, de viver na Itália, no blog Depois dos 25 e antes dos 40! Se você, meu público de cinco pessoas, não estiver enjoado de ler como lutei por estar aqui dá uma passadinha no blog dela, e aproveita e deixa comentário. Depois, caso queira, eu te dou um autógrafo, ok?..rs

Ai ai, deixa eu me abanar, vai!

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Baci a tutti.

domingo, 3 de abril de 2011

Um dia de primavera




Hoje foi um daqueles típicos dias que me dão prazer de morar aqui em Treviso. Começou assim com um bello cappuccino e pasticcini. Depois, hora de ir para igreja alimentar a alma. Tendo feito isso, jogo rápido para ir em casa pegar a bicicleta, ignorar o almoço e sair pedalando. O percurso escolhido foi em volta da muralha da cidade. Vi exposição de carros antigos. Este pequenininho é a primeira versão do Fiat 500.


Vi o mercado de flores do domingo.Observei as primeiras folhas das árvores. Fiz autoretrato nas belas paisagens do caminho.

Fotografei os pássaros que migram para a região para a reprodução,


Vi gente fazendo a metamorfose com os raios de sol dos primeiros dias de primavera,


Vi um artesão trabalhando a madeira em plena praça da cidade e me lembrei do velho Geppeto, de Pinocchio.


Também escutei a música de uns índios venezuelanos, tomei sorvete na minha gelateria preferida (panna cotta con crocante), tagalerei com as atendentes da cafeteria que sempre frequento e vi o sol se formar em uma moeda de ouro quando voltava para a casa. Ah, e o saldo de cappuccini foram 4 no final da tarde! Virou vicio?


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Em dias como este meu coração dorme em paz. E como foi o teu domingo?


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Ps.: Preciso da ajudo dos universitários: alguém sabe me dizer como faço para deixar o meu álbum web do Picasa como link permanente no meu blog? Aceito ajuda para resolver este mistério misterioso...rs.


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Ciao a tutti!

segunda-feira, 28 de março de 2011

Para a minha mãe


“A negona está branca e a gurdinha está magra!”. A frase dita por mamãe, antes do embarque, foi apenas para nos fazer rir em meio a tristeza que sentíamos na despedida. Nem parece que já passou um mês. Foi tão bom que não senti falta da net. Para dizer a verdade, adorei ficar um pouco afastada disso tudo. Neste período passeamos muito. A fiz andar tanto em Venezia que ela desistiu de ir a Roma. Prometeu que ficaria para a próxima vez em que virá com o papai. Amou Verona e as minhas amigas Debby e Elisa. Ficou encantada com Treviso. Também achou lindo os paralelepípedos em forma de arcos, as calçadas de mármore, gostou dos horários de ônibus fixados nos pontos e sendo cumpridos pontualmente, do cappuccino, da bruschetta, detestou o caffè espresso, quer continuar comendo como os italianos, aprendeu novas receitas, ficou triste em provar o gelato pois não vai poder tomar no Brasil, impressionou-se com o fato do dinheiro valer por estas partes de cá.

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Reencontrar mamãe foi algo diferente. Já não era mais vista como a filha que deveria ser corrigida. Agora somos amigas. E como tal pude chorar na frente dela, ela conheceu minhas angustias e os desamores, me ouviu, se orgulhou de meus posicionamentos, não me criticou, me incentivou. Também riu muito, gostou dos meus abraços, que foram tantos, e dos beijos. Juntas éramos somente risos. Lembrou-me do segredo de nossa paz e descanso. Orou comigo.

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Tenho orgulho de ser filha dela. Quem a conheceu disse-me: “sua mãe é uma senhora!” que no italiano quer dizer uma pessoa com uma postura admirável e irrepreensível. E quando eu crescer quero ser como ela! Tem apenas um dia que voltou e a saudade já é grande. Eu te amo mãe.

sábado, 26 de março de 2011

Do outro lado do Atlântico

"Minha lindaaaaaaaaaaaa Meu amoooooooooooorrrrrrr Não esqueci 24 de março Dia maravilhoso esse Que o Senhor te abençoe muito Que este dia especial seja obscurecido pelo seu brilho próprio que já é gigante E que sua vida seja repleta de vitórias, alegrias, sucesso e felicidade é o que te desejo bjos bjs bjs bjs bjs e muitooooooooooooooooooooooooooooooooooooos anos de vida" .
Recebi este voto de felicidades no meu aniversário, mas o vi somente hoje. Há dez anos nos prometemos em casamento se eu chegasse aos 34 e ele aos 35, completados um dia depois de mim, solteiros. Caso não tivessemos encontrado ninguém na nossa estrada a quem escolhecemos, ou fossemos escolhidos, seriamos a escolha um do outro. Sao 23 anos sem nos vermos, ao vivo, mas uma amizade que começou na infância e mantemos até hoje. O que vai acontecer no (nosso) futuro eu e ninguém sabemos mas sei que é bom ter pessoas do outro lado do Atlantico que gostam e torcem tanto por mim.

Aliás, agradeço aos que veem aqui no blog e mesmo não deixando comentário me desejam um saco de felicidades, principalmente na ocasião do meu aniverário.

A tutti grazie mille!

quinta-feira, 24 de março de 2011

3.4


Aniversário muito bom. Sem bolo, mas com la mamma e uma tarde maravilhosa em Venezia.

sábado, 12 de março de 2011

Quem está vivo sempre aparece!

A cirurgia foi um sucesso. Apesar da anestesia geral voltei para a casa no mesmo dia. Repouso mesmo fiz por apenas dois dias. No terceiro levei mamãe à Venezia. Queria que ela visse o lugar mas acabou vendo somente gente. Havia tantas pessoas que vou ter que leva-la outra vez para poder dizer "vi Veneza". Tudo por causa do carnaval que deixa a cidade igual ao Rio de Janeiro ou Salvador na mesma época.
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E para mostrar como mãe é um santo remédio, deixo uma foto feita hoje em Verona. Por acaso eu já disse que amo este lugar? Mamma também amou.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Novos sonhos

Foi na noite do dia cinco de agosto do ano passado. Estava inquieta e com uma angústia dentro de mim. Dormir seria difícil. Então vieram as lágrimas, depois o sono e com ele o sonho. Estava no quarto de um hospital. Os raios do sol entravam pelas grandes janelas e tornavam ainda mais claros os lençóis e paredes do lugar. Estava ansiosa com a expectativa de alguém que iria chegar. Veio à enfermeira empurrando um carrinho com um cesto de acrílico. De dentro tirou um pacotinho e entregou nas minhas mãos. Era o meu primeiro momento com a minha filha após o parto. Ela era grande como um bebê de seis meses e não lembrava uma recém nascida. Não a depositei nos meus braços como seria o normal. Segurei-a por debaixo dos bracinhos e a levantei no alto. O seu tamanho foi a primeira coisa que me chamou a atenção. Depois os cabelos que eram muitos a ponto de imaginá-la de “Maria Chiquinha”. Eram cheios de cachinhos no tom castanho escuro. A quantidade me impressionou tanto que pensava “como vou cuidar dos cabelos desta menina?”. Então a abracei e conheci a sensação de ter o mundo nos braços. Observei o contraste da cor do cabelo com a pele branca. A tez clara me lembrou um copo de leite. As sobrancelhas bem feitas não deixavam dúvida de quem era filha. E olhei para os seus olhos e o azul de um céu de uma manhã de primavera olhou para mim. Observei o pequeno nariz e a boca cor de rosa no formato coração. E a minha filha riu para mim. Acordei em paz. Ao abrir os olhos o primeiro pensamento foi “será que foi parto normal?” imaginando o sofrimento que devo ter passado para dar a luz. Naquele final de semana particularmente difícil e triste para mim contei o sonho para minha mãe que me disse “fique tranqüila pois um dia você ainda terá a sua filha”.
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Filhos sempre fizeram parte da minha lista de sonhos e planos. Mas tê-los não depende somente de mim. E o que depende estou fazendo para haver-los. Amanhã estarei me submetendo a um processo cirúrgico para que quando chegar o momento eu possa ter esta Ana Paula Arósio em forma de bebê nos braços. Não sei quando isso irá acontecer mas estou cuidando hoje deste projeto. Então torçam por mim, ok? Quando eu voltar falarei um pouco sobre o sistema público de saúde na Itália.
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Ciao a tutti!

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Verbo sfruttàre

Numa livre tradução do Dizionário Italiano Online significa: 1. obter o máximo de rendimento de um terreno, levar a exaustão, aproveitar do trabalho do outro, não pagar adequadamente quem trabalha; 2. fazer bom uso.

Exemplos:
1) Uma pessoa trabalha em nero (sem carteira assinada) numa casa dando assistência 24h a um idoso. Ganha 200€ a menos que o normal, finais de semana livres, mas trabalha nos feriados, tem que dormir todos os dias na casa e no weekend chegar às 21h. Não tem férias, 13°, horas extras. NADA;
2) Para renovar os documentos pede aos atuais patrões à gentileza de colocar em regola (assinar carteira). Quando é demitida não recebe nada, pois eles fizeram apenas um favor;
3) Precisar fazer muito esforço para que os contratantes passe os documentos necessários para o renovo do permesso;
4) Concorda em receber o salário num determinado dia e um mês depois os contratantes fazem de conta que nada esta em atraso mesmo a pessoa cobrando e querendo saber o que acontece. E todas as contas em atraso sem dinheiro para fazer as compras normais e pagar o aluguel.
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Então é isso. Este é um dos lados brutos de um sonho. Sim, tudo isso aconteceu comigo sendo que os dois ultimos foi o motivo do meu desabafo anterior. Infelizmente, sempre acontece nos períodos que tenho que fazer o renovo do meu permesso e tenho que suportar tudo isso. E assim tenho descoberto o que é ser aproveitada pelos italianos. Aos poucos tudo o que era bello para mim está perdendo a graça e tirando as minhas forças. Em casos somo estes se costuma dizer na Itália: Mi hanno sfruttato!
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Mas tudo bem, agora eu tenho o colo da mamma. Neste mês eu vou passar pouco por aqui. Quero aproveitar o máximo porque, depois de tres anos, é bom demais sfruttàre(2) de tanto amor.
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Ciao a tutti!

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Higiene italiana!


No Brasil o chuveiro é o astro rei do banheiro. Na Itália é o bidê. Como? Isso mesmo. Aquele vaso que tem uma torneirinha igual o que tem na casa da sua tia-avó que mora lá no interior de Minas. Lembrou? Pois então, no banheiro italiano não falta esta peça visto que o povo tem o bom costume de lavar-se depois de fazer suas necessidades fisiológicas. Para nós que somos acostumados a pensar no europeu com povo sujo e que não toma banho aí vai uma bela lição de limpeza e saúde corporal. O quê? Você acha que o papel higiênico limpa realmente? Então procure um proctologista para ele te explicar a diferença entre um e outro. Logo, logo você muda de idéia. Ah, tem as famosas duchinhas! Então podem me explicar porque antes de tomar banho na banheira se faz uma ducha primeiro e para lavar o ânus, ou bumbum se achar mais gentil, o sujeito acha que o vaso sanitário, aonde ele terminou de fazer as necessidades básicas, é limpo o suficiente para fazer a tal higiene?
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Lavar as “partes” no bidê é cômodo. E isso movimenta uma indústria na Bota. Seguindo a este costume vem associado às vendas dos sabonetes íntimos e toalhas em tamanhos específicos que ficam dependuradas em posto próprio (se você estiver vindo para cá e for à casa de um italiano, cuidado para não secar as mãos na toalha errada, viu!).
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O que me encanta são os sabonetes líquidos que são encontrados com diversos convenientes a mais. As escolhas vão mais pelas outras finalidades que o simples limpar, claro. Assim existe a opção que controla o Ph da vagina, o refrescante, o purificante, o controlador de odores, o amaciador (!) etc. Confesso que viajo na frente da prateleira. Tem para homens e mulheres.
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Aì eu fico pensando: é necessário mesmo ver o mundo com os olhos para que a ignorância caia por terra. Afinal, cresci num país que se gloria de tomar banho todos os dias e acreditar que o europeu é sujo e não toma banho. Então, quem é mais higiênico: o brasileiro que (dizem) toma banho todos os dias, mas tem o r¨%*# sujo pois apenas passa o papel ou o italiano, que embora não use o chuveiro todos os dias, lava as partes íntimas além dos pés, axila, braços e rosto?
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Ah, só para não deixar passar em branco: nas casas italianas os banheiros têm janelas! Isso mesmo, JANELAS. Nada daquelas entradinhas de ar minúsculas como somos habituados. Independente de ter mandado um defunto na descarga abaixo você não sente o constrangimento de outra pessoa entrar no banheiro e encontrar aquele odor pavoroso. Simplesmente se abre a janela e deixa circular o ar.
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Ciao a tutti!

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

É dos carecas que elas gostam!

X

Esta afirmação sempre me trouxe em mente a imagem de homens como o baixinho da Kaiser: baixinho (quanto redundancia!), careca e barrigudo. Nunca (na história deste país.. ops, errei o discurso..rs) achei graça nos carecas.... até vir para Itália. Aí o assunto ganhou outros contornos. Não sei o que acontece, se é genética ou o calcário absurdo na água, mas existem muitos italianos calvos. Mas não são baixinhos nem barrigudos. Estão mais para um Marcello Antony.
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Ontem, dentro do onibus, notei um homem lindo. Deixa eu explicar meu conceito de lindo> é Antony pra cima, certo? Voltando ao meu colírio de ontem. Era um deus grego. Lindo, careca e com barba rala. Alguém me "acódi"! Fiquei hipnotizada com o perfil do moço. Mesmo com tanta roupa que vestia dava para perceber que tinha um belo físico. Lembrei do ator global pelo sorriso, e do ditado pela careca.
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Ah, sim, vale dizer que aqui os homens tem o costume de raspar as cabelos quando a queda capilar é definitiva. Ao invés da decadência, escolhem a saída mais honrosa. Estão certissimos. Ganham mais charme e beleza.
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Papai do céu, estou acrescentando este quesito na minha listinha, tá!

domingo, 9 de janeiro de 2011

Comida italiana, um caso de amor à mesa

Somente vivendo em um país é possível conhecer realmente a sua cultura. Morando na Itália eu me inseri na cultura da boa mesa, ou seja, culinária (mediterrânea principalmente) e vinhos, pouco menos neste último. O que mais me encanta é a simplicidade da comida e como ela nos satisfaz. Diferente do Brasil, em que colocamos no prato todas as comidas juntas, do lado de cá se come tudo separadamente e em pratos diferentes. A rigor, e nesta ordem, os italianos comem a entrada (algo leve para abrir o apetite), o primeiro e secundo prato (massa e carne), o contorno (saladas ou verduras), a sobremesa (doces ou frutas) e para finalizar o caffé.
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Na Itália comer bem é quase uma religião. Claro que não é todo mundo que cozinha uma maravilha. Nem são todos os restaurantes que fazem algo digno para se chamar de italiano. Porém uma coisa é certa, com o povo da bota você senta à mesa em determinado horário e levanta, no mínimo, três horas depois. Isso num restaurante, em casa entre comida, bebida e boa conversa se passam tantas e tantas horas.
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Em cada região tem seus pratos marcantes. No sul a comida é mais marcante, com mais temperos e frituras. No norte, é mais sutil ao paladar. Tenho maior preferência pela primeira principalmente pela culinária da região da Puglia. Comer pasta é tão normal como o nosso arroz e feijão. A diferença é que existem muitas formas de pasta. Engorda? Da forma como eles comem, não. E não me refiro na quantidade e variedade mas sim no preparo de cada prato. Enquanto no Brasil temos uma “explosão de samba” na nossa boca com a mistura de temperos, aqui cada prato tem o seu gosto. Já provou um fusilli com abobrinha e queijo parmesão ralado na hora? Simples de fazer o prato é um espetáculo pelo o adocicado que a verdura solta com o gosto forte do queijo. Uma combinação perfeita. Para completar apenas algumas pitadas de sal e pimenta do reino.
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É isso que me encanta na comida italiana. Aqui se pensa na combinação dos elementos para preparar a comida. A intenção é de sentir o gosto do que se come e não simplesmente dos temperos. E, se você ainda não esteve aqui, não pode imaginar como é bom. Assim eu aprendi a comer muita coisa crua. Enquanto vou preparando as verduras, belisco o que estou cortando: a cenoura que é doce e crocante, abobrinha verde, funghi, ervilha fresca, vagem, salsão, pimentão, aspargo, radicchio etc. Aprendi a usar pouco alho e sal. Hoje faço festa com hortelã, coentro, salvia, louro, rosmarino, salsinha. O resultado são elogios absurdos para a comida.
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Com o passar do tempo percebo que meu paladar enriqueceu e mudou. Continuo amando a comida brasileira, os nossos temperos e maluquices gastronômicas mas foi somente vivendo aqui é que eu comecei a valorizar os ingredientes e a preparação de cada prato. Um desafio para quem estiver lendo este post. Tente cozinhar sem alho, diminua o sal, use somente azeite extra virgem de oliva e abuse dos temperos citados (no máximo dois por comida) e procure sentir o gosto do que coloca na boca. Ah, não vale colocar calda Knorr.O resultado vai ser algo tão maravilhoso como este prato de espaguete com camarão que preparei no verão passado. Acredite, ficou de comer de joelhos. E buon apettito a tutti!