segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Luto

Ela foi a primeira que acreditou em mim mesmo quando eu ainda não acreditava. Deu-me a primeira oportunidade e quando viu as minhas dificuldades não se importou pois sabia que eu iria longe. Assim se tornou minha tutora, e eu a sua pupila. Ensinou-me a trabalhar as minhas qualidades na assessoria, viu meus potenciais e os apontou para que eu não perdesse o foco. Chamou minha atenção tantas vezes mas nunca faltou uma palavra carinhosa para elogiar uma pauta bem elaborada, o bom resultado de um clipping, a matéria divulgada.

Tinha o orgulho de saber que uma excelente jornalista estava me passando o que sabia. Valorizei cada ensinamento. Sempre me dizia: você ainda fará o seu vôo solo. Quando deixei de ser sua protegida e passei a assinar meus trabalhos, foi a primeira a bater palmas. Quando joguei tudo para o alto para vir para a Itália, lá estava ela com orgulho nos olhos sabendo que era chegado o meu momento de voar. Disse tantas vezes que queria vir me encontar. Não vem mais. A história dela acabou. Continua apenas no coração daqueles que tanto a amaram e admiraram. 

Saudades Mariza Cavalcanti (+19.11.2011).

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Música do dia: Canção da América, por Milton Nascimento



Caro,

Tempos atrás te prometi uma música e creio que chegou o momento. Composta pelo mineiro Milton Nascimento, junto com Fernando Brant, em 1980 (te diz algo?) a letra diz tudo o que podemos dizer neste momento. Aliás, foi você quem me ensinou que para tudo existe uma música.
Obrigada pela força, pela amizade e por ser o belo presente dos 33.

Ti voglio bene!
.
Letra: Canção da América


Amigo é coisa para se guardar
Debaixo de sete chaves
Dentro do coração
Assim falava a canção que na América ouvi
Mas quem cantava chorou
Ao ver o seu amigo partir
Mas quem ficou, no pensamento voou
Com seu canto que o outro lembrou
E quem voou, no pensamento ficou
Com a lembrança que o outro cantou
Amigo é coisa para se guardar
No lado esquerdo do peito
Mesmo que o tempo e a distância digam "não"
Mesmo esquecendo a canção
O que importa é ouvir
A voz que vem do coração
Pois seja o que vier, venha o que vier
Qualquer dia, amigo, eu volto
A te encontrar
Qualquer dia, amigo, a gente vai se encontrar

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Inserimento cultural


Ultimamente tenho me confrontado bastante com pessoas que amam ou odeiam a Itália ou o Brasil. E quando começam a expor o seu ponto de vista, o discurso costuma ser ácido independente da situação. Geralmente são pessoas que viviam mal no Brasil e agora vivem o “sonho dourado” da Europa ou, no caso oposto, vivem mal na Itália e só se recordam das maravilhas tupiniquins. 
Eu me enquadro em qual parte? Naquela que entende que está vivendo outra cultura e aprendendo. Muitas coisas me parecem estranhas; com outras não sou de acordo ou acho um absurdo; enquanto que outras me surpreendem.
Vejo muita arrogância e prepotência nas argumentações dos dois grupos que citei. O filósofo alemão Johann Goethe disse certa vez que "Muitos são orgulhosos por causa daquilo que sabem; face ao que não sabem, são arrogantes". Sou de acordo com este pensamento e vejo que é justamente a ignorância que formenta tantos comentários amargos e contrários como se aqui ou lá tivesse somente o lado positivo ou negativo.
Duas situações que vivi para ilustrar o que escrevo. Caso 1. Sou amante da boa música brasileira. Apesar do meu inserimento quase tardio na área tive a oportunidade de descobrir esta arte tão bem representada por nossos cantores e compositores. Aqui na Itália sempre falei bem do assunto e, ex-assessora de imprensa na área cultural, sei do que falo (até onde posso). Uma dessas pessoas que odeiam o Brasil sempre faz um confronto, pois lembra/conhece somente o lixo indústria fonográfica. Em compensação, para esta, música boa é a italiana que têm cantores reconhecidos no mundo inteiro como Pavarotti (amo este generalismo...rs). Então que certa noite, num programa de TV italiana que faz um concurso para descobrir o novo talento musical infantil, o cantor Toquinho se apresentou junto com alguns das crianças. Garota de Ipanema, Aquarela do Brasil e mais outras duas músicas foram cantadas em italiano. A letra, o cantor e as vozes dos pequenos coroaram a apresentação. Do outro lado eu ouvi a pessoa dizer: ah, isso sim é música boa do Brasil. No que respondi: Mas é disso que venho te dizendo este tempo todo! No que me responde: Mas 80% dos brasileiros só gostam de ouvir porcaria. Goethe tinha razão. Depois desta, dá para continuar o discurso?
Caso 2. Dizem que homem é tudo igual, só muda o nome e o endereço. Não sou de acordo pois entre um homem italiano e um brasileiro existem muitas diferenças. Outro dia conversava com uma amiga, para quem o Brasil é um pedaço do céu, sobre uma qualidade do italiano quando este está interessado numa mulher. Fazia eu o meu discurso e fui interrompida por ela dizendo que eu não conhecia os homens italianos, que eles são estúpidos com as mulheres, interesseiros etc. Ao perceber minha face de pasma, me pediu desculpas dizendo: ah, você sabe que sou apaixonada pelo Brasil, que sempre será melhor para mim, que entre um italiano eu vou preferir 100 vezes um brasileiro. Não resisti e disse: o que posso dizer é que você não saber ser racional, é somente passional, pois uma coisa é amar o Brasil, outra coisa é não conseguir ver qualidades na Itália. O assunto prosseguiu com ela recolocando a frase.
Acredito que um dos motivos de viver feliz aqui na Itália, apesar de não estar no paraíso e passar por muitos perrengues, é que escolhi me inserir na cultura italiana sem esquecer jamais que sou brasileira e com muito orgulho. Meu olhar é de quem observa e também critica, mas acima de tudo, de quem aprende. Qual é a graça de viver a vida achando que sabe tudo? No curso de jornalismo estudamos que uma questão sempre pode ser vista sobre diversas formas e existe o outro lado, a outra versão. Eu escolhi ver a diferença cultural com curiosidade de quem quer descobrir o porquê daquilo ser assim ao invés de achar simplesmente estúpido, feio, ruim ou não. Claro que não dá para ser inocente, mas isso é em qualquer lugar.
No final, melhor mesmo é ser um eterno aprendiz da vida. Independente em qual parte do mundo e da língua que esteja falando.
Para encerrar o assunto, deixo uma música (claro) O que é o que é que diz o que eu penso e canto sempre: viver e não ter a vergonha de ser feliz/ Cantar e cantar a beleza de ser um eterno aprendiz/ Eu sei que a vida poderia ser bem melhor e será/ Mas isso não impede que eu diga/ Que é bonita, é bonita e é bonita! 
Clica no vídeo e ouça na voz da grande Maria Bethania acompanhada das estupendas Miúcha (salve) e Nana Caymmi (salve). Letra do mestre Gonzaguinha.


quinta-feira, 6 de outubro de 2011


Sempre atraí a atenção das pessoas porque tenho duas características marcantes: sou guerreira e sei vibrar. Vêem em mim uma força que às vezes eu penso ser fantasia alheia; depois olho e vejo que ela existe realmente. E procurei a raiz desta e vejo que a minha fé em Deus me leva além daquilo que penso ser capaz. Depois, sempre tive o hábito de admirar os vitoriosos. Ler autobiografia sempre me fascinou. Saber como aquelas pessoas se tornaram uma referência alimenta a minha crença de que “elas conseguiram, eu também consigo!”. E hoje um destes personagens finalizou o seu percurso e deixou a “maçã” realmente sem um pedaço. Steve Jobs, com ele aprendi: não seja um gigante, seja um aprendiz!

"Lembrar que estarei morto em breve é a ferramenta mais importante que já encontrei para me ajudar a tomar grandes decisões. Porque quase tudo - expectativas externas, orgulho, medo de passar vergonha ou falhar - caem diante da morte, deixando apenas o que é apenas importante. Não há razão para não seguir o seu coração. Lembrar que você vai morrer é a melhor maneira que eu conheço para evitar a armadilha de pensar que você tem algo a perder. Você já está nu. Não há razão para não seguir seu coração." - (Steve Jobs, 1955-2011)

Veja todo o discurso abaixo.



sábado, 10 de setembro de 2011

Sábado: o dia besta ou de ser besta!

Sábado é o dia que lavo a alma, esqueço os perrengues do cotidiano e tenho o prazer de estar viva, principalmente aonde escolhi viver. Outro dia uma amiga me perguntou, pelo MSN, se eu não era feliz no Brasil. A resposta não foi um sim nem um não, apenas que eu vivia no lugar errado em que eu era diferente dos demais e isso me deixava desanimada com a vida. Explico para não ser chamada de alienada (e se for, não estou nem ai mesmo!) etc. Sou filha de pessoas simples, que saíram da pobreza e lutaram muito para sustentar os filhos dando (além de amor, carinho e correção) estudo e plano de saúde pagos, casa boa para morar, roupas de qualidade, comida em fartura e muito boa (já disse que sou mineira, né. Mamis tbém!) além de um ambiente social que me fez ir além do que eles me ofereciam. O resultado é que me tornei alguém com um gosto diferente dos meus amigos brasileiros. Eu me relacionava com pessoas mais velhas para não me irritar com as infantilidades dos demais com a mesma idade que a minha. Com os mais velhos eu não era obrigada a ouvir pagode e forró; eles me falavam de Elis Regina, Maria Bethania, Gal Costa, João Gilberto, Vinícius de Moraes e outros. E com isso descobri Adriana Calcanhoto, que amo de viver, aprendi que o samba é lindo e não é sinônimo de Carnaval. Minha reflexão sobre um filme ia além da interpretação do ator ou se os protagonistas terminaram juntos e vivos. Quando ia ao shopping, na hora de comer eu me recusava ir ao Mc’Donalds; ou comia algo regional ou asiático.

Odiava o vizinho que metia música no último volume. Se fosse Kelly Key, Latino, Bello, Joelma (banda Calypso) ou qualquer pagode, forró, axé ou sertanejo, eu sentia um desgosto profundo por ter que suportar algo tão ruim, gratuitamente, no meu dia a dia. Não aceitava o fato que, fora do meu ambiente “intelectualizado”, eu era vista como uma nerd porque fazia uma citação simples de Freud, Platão, Descartes (aquele que disse “penso, logo existo”) ou de um comunicólogo-sociólogo-antropólogo-pensador qualquer. Junto com tantas outras coisas, isso me fazia desejar viver num lugar em que ter gosto pelo o que é realmente bom não era visto como “coisa de gente besta”. Pois é, e justamente aqui eu faço coisa de gente besta, e intitulei o meu sábado como o dia de ser besta-fresca-metida-nerd e, copiando o slogan do Mc’Donalds, AMO MUITO TUDO ISSO!

Quer ver como é besta? Comecei o dia, bem tarde, conversando com os meus vizinhos. Detalhe que eu amo, o que separa os nossos jardins e quintais é uma grade baixa com 1metro de altura. Sabe aquela coisa de cumprimentar as pessoas, contar algo divertido, uma novidade, desejar um bom dia e pronto? Besta, mas tão bom quando você consegue conversar com alguém que mora ao seu lado que não seja: é, está quente; ou, vai chover; ou algo sem “nada a ver” somente porque as relações pessoais são distantes.

Depois, sempre com a bicicleta, fui tomar um bello cappuccino com uma brioche recheada de amêndoas na padaria/caffeteria próxima a minha casa. Lá coloquei minha leitura do noticiário em dia (o italiano está em desespero com a queda das bolsas de valores, novamente) e observei como o lugar estava movimentado com presença de pessoas jovens, adultos e grupos de velhinhas que colocavam a conversa em dia. Saí da padaria já com o pão que farei minhas bruschettas para esta noite. Deixei o pão em casa, e hora de pedalar pelos lugares que gosto de ir. Claro que, como já era tarde, terminei minha pedalada no centro de Treviso, no mercado, e fiz um brunch na Tavernetta Butterfly que tem uma ótima cozinha com base no peixe. Leia os comentários aqui. O lugar é sempre cheio. Você escolhe o que quer comer, eles colocam num pratinho e se come sobre o balcão ou na calçada. Dentro, ainda tem um restaurante muito bem freqüentado. São simplesmente maravilhosas as bruschettas, os espetinhos fritos, os sanduíches, a seleção de prosecco e vinhos. Hoje escolhi 3 bruschettas: de bacalhau na manteiga, de salmão, e tomate com fileto de Alice. Tudo acompanhado de um prosecco. Nota 10 para o trio com a bebida. Depois pebi uma posta de bacalhau frito. Ficou muito a desejar, não senti gosto nenhum. Zero. Não peço mais.

Voltei para casa. Olha, vou ser muito besta dizendo que o percurso é lindo, mas como o dia me permite ser-lo, então eu digo, o caminho que faço é liiiindo. Ainda vejo alguns patos, marrecos e cisnei pelos córregos que cortam toda a cidade. Restaram alguns que breve partirão em busca de temperatura mais quente visto que o outono já está com a cara na porta.

Uma pequena pausa para colocar em ordem algumas coisas e me preparar para o cinema, depois igreja e... ah, talvez nem faça isso. Não está nada determinado ao certo. O que posso garantir é que até o presente momento sinto que estou no lugar certo, me sentindo uma pessoa normal, que faz o que gosta e, mais importante de tudo, sendo feliz com coisas tão simples. E olha que não fiz nenhuma citação de Freud, ainda! Quem me explica isso?..rs

La vita é bella!

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Ahinnnnn

Estava eu, linda, inteligente e magra (hoho), preparando um post sobre "o discurso" (área da comunicação que muito me atrai), e entrando na questão comparação BrasilxItália, quando me deparo com um post sobre pessoas que sabem aproveitar bem a vida sem se apegar a "isso é melhor que aquilo". Simplesmente perdi o interesse, por enquanto, de usar o meu conhecimento de sociologia, antropologia, comunicação e politica social para escrever sobre o eterno debate do "aqui é assim e lá assado ou este é melhor que aquele". Até porque, no post que li sobre aquelas pessoas bacanas, eles estavam mais interessados em brindar à vida, ao amor e à felicidade sem se importar se o vinho era italiano, chileno ou argentino. Para eles, bastava que fosse realmente bom para o paladar apurado deles (e que se dane o mundo que pense o contrário). No final, uma declaração de amor à esposa aniversariante. Aqui entra o meu momento brega, romântico (ok, já dei a cara à tapa antes ao assumir este meu lado) e completamente "ahinnnnnn".
Sendo redundante ao post anterior, o que importa é ser feliz.
E toca a vida!