segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Roma – 3° e último dia

O dia foi separado para conhecer o Vaticano. Como sabia que era muito concorrido, cheguei às 8h a Piazza San Pietro, fiz algumas fotos e procurei a entrada do Museu. Uns 10 minutos depois descobri que tinha que voltar o quarteirão e contorná-lo. Já tinha uma pequena fila e, como não havia reservado o bilhete, €12, pelo site e assim passar direto, precisei encará-la. Foi rápido. E enquanto esperava passar pelo guichê ouvia uma jovem italiana, 16 anos soube mais tarde, dizer aos seus pais que era pura implicância se não deixasse que ela entrar. Fazendo um raio-x: minissaia e camisetinha. Passou. As francesas, de short, levaram saia para colocar na entrada. Tiveram mais respeito pelas regras do lugar que a primeira.



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O museu é grande. Melhor dizendo, enorme. Têm várias galerias. A primeira é a egípcia. Múmias, sarcófagos, vasos e muitas estátuas. Para quem nunca tinha visto uma exposição da terra dos Faraós, a primeira experiência foi gratificante. Continuei andando pelas alas. Obras gregas com direito a muitas fotos com as estátuas. Sem companhia, resolvi brincar um pouco. Quem passava não entendia o que eu fazia simulando uma briga com César, quase abraçada a um busto de um bello ragazzo de mármore, ou em pose com o leão etc. Sim, eu sei me divertir sozinha. Vejam esta pose de escândalo diante de mais um “homem” nú no Vaticano. Pergunta boba: por que tanto cuidado com o tamanho das roupas dos turistas para um espaço onde o que mais tem é reprodução perfeita de pessoas nuas?


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Mas estava ansiosa para chegar a Cappella Sistina. Demorou muito e comecei a cansar. Passei pela Pinoteca, as Gallerie dei Cadenlavri, degli Arazzi, delle Carte Geografiche e Cortile della Pigna. Entrei num abrigo onde tinha tantas banheiras de mármore e granito que fiquei surpresa. É de pensar que eles gostavam de tomar banho. Uma obra que me chamou a atenção: a estátua de Laocoonte com as serpentes. Diz a lenda que ele foi um astrólogo de Tróia que aconselhou o rei a queimar o famoso cavalo-presente pois não tinha um bom pressentimento. Sugestão não aceita, pois o povo acreditava que era um “regalo” dos deuses para o fim da guerra, Laocoonte jogou-se ao mar onde foi devorado por víboras marinhas. A cena foi entendida como uma punição por rebelar-se contra providencias divinas. Mais tarde, quem sofre com a providência humana, foram os troianos. Lembram da história? Vejam a foto.


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Outra coisa que me impressionou, no meio do caminho, é que visitar o museu do Vaticano é preciso estar disposta a olhar para o teto, paredes e chão. Tudo é pintado, esculpido, detalhado. Sei que cada papa quis deixar a sua marca registrada mas, pensando bem, acho que foram muito extravagantes.

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Finalmente cheguei ao “capo lavoro” de Michelangelo. A sala foi construída por Giovanni De’Dolci e, por muito tempo, foi a capela privada de pontífices e é o lugar onde se reúne a Conclave para a eleição de um novo papa. Conta a história que o artista não queria muito o trabalho pois não se considerava um pintor, e sim escultor, e desejava continuar o monumento funerário do papa Giulio II, jamais finalizado, do qual fez somente Mosé in San Pietro in Vincoli. Contudo, fez e é impressionante. O que era para ser um simples projeto dos 12 apóstolos se transformou no ambicioso Gênesis. Foram necessários quatros anos somente para projetá-la. E, com tudo isso, fiquei apenas 5 minutos lá dentro. Sinceramente sou do tipo de pessoa que depois de cansada não rendo nada. Mas valeu a pena! Mammamia, o que o homem pode produzir com perfeição na arte eu vi naquele lugar. Sem dúvida o Renascentismo foi um período muito especial para a história da humanidade. Sem fotos porque lá dentro é proibido fazer registro. A que eu fiz, escondida, ficou horrível.

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Depois de quase 5 horas saí de lá em busca de um banco para sentar, respirar um pouco e colocar o pé na estrada novamente. Para finalizar, a saída pela escadaria em espiral no estilo anos 30, de Giuseppe Momo.



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Pausa para a parte mais engraçada desta visita. Estava olhando uma das tantas estátuas do lugar e, São Sem Noção tomou conta de mim, resolvi fazer uma foto diferente. Sabe aquelas fotografias onde se coloca um monumento entre os dedos polegar e indicador? Pois, fiz isso com uma estátua de um Apollo nú que tem uma pequena folha de vinha tampando o sexo. Sim, justamente esta parte ficou entre os dedos (sempre me perguntei por que faziam membros tão pequenos assim. Ser modelo naquela época deveria ser humilhante). Havia duas jovens italianas perto de mim e, quando entenderam a minha intenção, soltaram um “porca miséria” e saíram apressadas. Para um senhor, que me olhava de lado dei de ombro, apontei para a obra e disse: poverino, non è vero? (coitadinho, não é verdade?). Até hoje eu tenho crises de riso ao lembrar da expressão das jovens.


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À tarde perdi muito tempo tentando encontrar um correio que enviasse os presentes de meus pais para o Brasil. Lembram que em Agosto quase tudo fecha na Itália? Pois, quase fiquei na mão mas consegui. Do pouco que me restava do dia tentei ver Roma pelo buraco. Não é piada. Do portão da ordem Soberana dos Cavaleiros de Malta, na Piazza Cavalieri di Malta, no Aventino, ao lado da Igreja Santa Maria del Priorato, é possível uma visão panorâmica da cidade. Perdi tempo procurando e não achei. Me garantiram que praça é muito bonita e foi construída em 1765. O curioso é, quando se olha pela "fechadura" pode-se ver 3 países: Itália, Vaticano e a propriedade extraterritorial da Ordem Militar Soberana de Malta, que é a denominação atual da Ordem de São João de Jerusalém, fundada em 1048, na Palestina, por mercadores da antiga República Marina de Amalfi e é uma das mais antigas instituições da civilização cristã ocidental.

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Para finalizar a minha estadia na cidade eterna resolvi fechar com chave de ouro na Piazza Navona. Havia uma pequena confusão num bar que havia sido transformado em set de filmagem. Sim, Julia Roberts esteve ali gravando cena do seu próximo filme. Não, eu não a vi.

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Escolhi provar um spaghetti alle vongole de um restaurante, que não gravei o nome (rs), e era delicioso. Sou apreciadora do bom prato e aquele foi um belo presente para o final do dia. Quem quiser apreciar basta procurar o restaurante que faz apresentação de massas com produtos orgânicos. É fácil localizar. Aproveita e escolha, de entrada, a bruschetta di pomodoro e um espumante de acompanhamento. Finalize com um “esprèsso” italiano. Aviso, a conta é salgada mas o cenário é de cinema e a comida é de primeira.

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Ciao!

2 comentários:

Grazie disse...

Hahahah, bem humorada como sempre!!!

paula disse...

olá ,tambem eu estive por Roma entre o dia 4 e 8 deste mês.Ao ler os teus relatos estou em sintonia contigo,nunca vi tanta vida,as ruas e praças cheias de gente.
No Vaticano a escadaria de saída ninguem resiste a tirar uma foto,e o "material" Romano era mesmo pequeno,pelo que se vê nas estatuas.bjs Portugal