segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Saúde na Itália

Saguão do hospital de Venezia Mestre

Já tinha planejado falar sobre o assunto e sempre prorroguei, agora chegou a hora lembrando apenas que minha descrição é daquilo que eu vivo e estou no norte do país, ou seja, no centro sul pode ser, e é, bem diferente. 
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E então, o sistema de saúde funciona na Bota, ou ao menos numa parte dela? Sim. Cada cidadão tem o seu médico de base a quem deve recorrer para qualquer necessidade. Caso seja necessário um especialista, ele te passa uma guia com a qual você marca a consulta, com o médico de sua escolha, numa central de atendimento quase igual ao antigo INPS. Cada guia, tanto para consultas ou exames, são pagas. Ao marcar uma consulta você não pode faltar pois senão paga do mesmo jeito. Tem o direito de desmarcar com 24h de antecedência. Para ter este atendimento é necessário fazer uma carteirinha (novamente parecidas com as do INPS antigamente) que consta todos os teus dados, inclusive onde mora, mais o nome do seu médico de base.
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Quanto tempo leva para ser atendido. Ai depende da sorte e da gravidade que o seu médico de base observa. Marcar uma visita ao oftalmologista pode durar até um ano. Uma ressonância magnética geral até seis meses. E assim vai.
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Todos os médicos são bons? Não. Profissionais bons e ruins existem em toda parte. Existe a questão cultural que também influencia. Por exemplo, prefiro ginecologista brasileiro. Por quê? Aqui, para saber se uma mulher não é virgem o médico roda quase meio mundo para a pessoa entender o que ele quer. No Brasil a pergunta é direta e sem constrangimento: tem vida sexual ativa? Algo constrangedor é o fato que você tira a roupa atrás de um biombo e sai andando pelada até a cadeira, ou maca, de consulta. Mas por outro lado tem sempre uma enfermeira ao lado do médico. Ela não pode sair de perto dele quando uma paciente estiver sendo tocada.
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Do lado de cá se valoriza muito os benefícios do parto normal a ponto que as mulheres verem com tranquilidade as dores que passarão. Ponto para eles que também investem em cursos públicos para gestantes. 
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E o Pronto Socorro é a ante sala do inferno, como acontece no Brasil? Imagina! É ordenado e limpo. Existe senha para atendimento. Você vai até a recepção, apresenta a tua carteirinha, diz qual o problema e, no entender do grau da gravidade, você recebe uma folha com um código de atendimento. Se a situação for grave, rapidamente é atendido. Se entenderem que você poderia ter  esperado (se for de noite) ou te ido ao medico de base, demora e ainda paga o ticket como se fosse uma consulta particular.Abra parênteses. Aconteceu comigo neste último domingo de madrugada. Sentia uma dor terrível na coluna a ponto de sentir a cirurgia que fiz no início do ano. Para a atendente era nível branco, o menor possível, então eu tive que esperar 1h e ainda pagar €60 pelo atendimento. Alguém pode me explicar como dor é classificada como nível baixo e entender que um paciente pode esperar quase dois dias para poder ir ao médico de base? Fecha parênteses. Os médicos enrolam dentro dos ambulatórios deixando os pacientes esperarem na recepção? Claro, né. Hospital não é anti sala do céu, minha gente. 
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Quando precisei de fazer minha cirurgia, em março, foi necessário fazer um tratamento de ferro na veia além de tomar uma injeção que custava €800. Não paguei um centavo, o governo fez a sua parte. De quando comecei a fazer os exames até o intervento em si, foram quase 3 meses. Quando decidi pela cirurgia, em 45 dias já tinha posto para mim.
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Apesar de ter muitos brasileiros que acham os médicos italianos uns açougueiros, eu procuro olhar de forma diferente. Como eu disse, existem profissionais de todos os tipos em qualquer lugar. Confiei no médico, até porque ele fez uma especialização de 6 meses em Recife, e porque ele sugeriu a cirurgia como solução para um problema de anos e que no Brasil os médicos só aceitavam fazer tratamentos com remédios e nunca resolvia.
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Os quartos são coletivos. Não gosta de dividir com estranhos? Melhor se tratar no Brasil mesmo ou escolher um hospital particular. E nada de acompanhante. Pense num quarto com oito doentes e cada um com uma pessoa para ajudar? Não dá. A única exceção são para os idosos que precisam de ajuda das badantes (profissionais que cuidam de velhinhos).
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Fofoca da área: 1. Ouvi dizer, por parte de alguns enfermeiros, que os hospitais que estão sob direção de freiras são os piores pois as religiosas costumam ser muito más.
2. Quando se faz exame de sangue não se coloca um band-aid discreto. Você sai com o braço enrolado num chumaço de algodão como se fosse para estancar uma hemorragia. Né mole não. Algo quase pré-histórico.
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E vale lembrar, aqui no norte os hospitais são limpos, organizados e, se forem novos, tem a arquitetura que lembra um shopping center. Já no sul, é IGUAL ao Brasil.
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Ciao a tutti!

sábado, 17 de dezembro de 2011

Um mês


É o que falta para o meu retorno ao Brasil. Quanto tempo isso significa? Um amigo me lembrou da música do Biquíni Cavadão que diz ser o suficiesente para um embrião virar feto, o trabalho para ganhar o salário, para ser campeão da Copa do Mundo ou um dia em Saturno.
Para mim será uma eternidade. Como disse ao meu irmão, este período vai parecer um ano enquanto que os três meses planejados por lá serão como três semanas. Mas é assim para quem escolheu o mundo como casa, e a casa como um lugar de passagem para onde sempre volta.
Deixando a mensagem romântica à parte, finalizo com a música Quanto Tempo Demora Um Mês, Biquini Cavadão.

Baci.






quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

O pão nosso de cada dia

Costumo implicar com os italianos dizendo que, na culinária deles, o internacional fica por conta das massas. Faça jogo rápido, pensa num prato típico da Bota à base de carne? Se você não mora, ou nunca morou aqui, não esteve por estas partes e não é fã da culinária italiana, vai ter dificuldade para responder esta simples pergunta. Mas garanto que fora as massas, este povo entende bem do mexer da colher.
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Deixando a implicância de lado, e voltando ao que interessa. Fora o "macarrão", como entendemos nós brasileiros, o que eu mais gosto de massa são os pães. Lembro que quando cheguei aqui fiquei doida porque não achava um similar ao pão francês. Com o tempo, desenvolvendo o meu paladar, descobri que morar perto de uma pasticceria (padaria) seria a minha perdição. Os pães daqui são FENOMENAIS e servidos com todo o respeito num almoço ou jantar. Come-lo no café da manhã é quase uma ofensa. E existem tantas opções que os glutões de plantão (\o/) entram em crise quando é a sua vez de ser atendido. É até difícil de dizer: tem os de grão duro, de grãos, os integrais, os de leite, fora os originados de cada região etc. Mas o sabor! Humm.... juro, como sem precisar de passar nada neles.
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Como as manteigas italianas são ruíns, mamma mia!, quando quero comer com algo passo um pouco que queijo mole. Ultimamente minha paixão é o pão de milho. Nada de essência, minha gente. São os grão mesmo no meio da massa. E o sabor? E a crocância?  Aff! Não é atoa que adotei o bom costume local de comer com   o bendito pão nosso de cada. Claro que no meu caso ele aparece duas vezes, no café e almoço ou janta.
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Segundo minhas pesquisa achei uma matéria que informa: os italianos consomem 3,2 milhões de tonelas de pão ao ano, sendo que 60% deles consomem durante as principais refeições (almoço e/ou janta) e o gasto é de €248 ao ano, por pessoa. Numa família de quatro pessoas o valor vai para €1000. 
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Porém, os pães doces não são comuns por aqui. Sabem aquela cena de padaria brasileira com pão doce simples, com cobertura de coco, de goiabada, com creme, com isso e aquilo mais a Marquesa de Sapucaí por cima? Pois, vai achar aqui não. Até porque, quase como regra geral, bastou ser doce que entra como uma sobremesa. Biscoito aqui é doce, pode? 
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Aí, vai que estamos chegando ao final do ano (isso mesmo, faltam exatos 16 dias para você cumprir o que prometeu no início do ano!) e é época de Panetone. Pronto, reinicia a minha tortura pois a coisa não poderia ser simples, né. A variedade também é enorme. Tem o clássico, os com recheios, os com somente uvas cristalizadas, somente frutas cristalizadas, o tal do Pandoro (seria a massa pura do Panetone), o com amêndoas, o com açúcar cristalizada por cima etc. Sem contar nas especialidades de cada lugar e das padarias. A minha (pois é, já me sinto dona) inventou um com figos e amêndoas. Pronto. Agora a vaca foi para o brejo mesmo. Vou alí saborear minha outra feta desta delícia e encher este corpo com calorias natalinas....rs
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Ps.: Desculpem o sumiço, estava dando um tempo de mim para mim.
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Ciao!

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Luto

Ela foi a primeira que acreditou em mim mesmo quando eu ainda não acreditava. Deu-me a primeira oportunidade e quando viu as minhas dificuldades não se importou pois sabia que eu iria longe. Assim se tornou minha tutora, e eu a sua pupila. Ensinou-me a trabalhar as minhas qualidades na assessoria, viu meus potenciais e os apontou para que eu não perdesse o foco. Chamou minha atenção tantas vezes mas nunca faltou uma palavra carinhosa para elogiar uma pauta bem elaborada, o bom resultado de um clipping, a matéria divulgada.

Tinha o orgulho de saber que uma excelente jornalista estava me passando o que sabia. Valorizei cada ensinamento. Sempre me dizia: você ainda fará o seu vôo solo. Quando deixei de ser sua protegida e passei a assinar meus trabalhos, foi a primeira a bater palmas. Quando joguei tudo para o alto para vir para a Itália, lá estava ela com orgulho nos olhos sabendo que era chegado o meu momento de voar. Disse tantas vezes que queria vir me encontar. Não vem mais. A história dela acabou. Continua apenas no coração daqueles que tanto a amaram e admiraram. 

Saudades Mariza Cavalcanti (+19.11.2011).

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Música do dia: Canção da América, por Milton Nascimento



Caro,

Tempos atrás te prometi uma música e creio que chegou o momento. Composta pelo mineiro Milton Nascimento, junto com Fernando Brant, em 1980 (te diz algo?) a letra diz tudo o que podemos dizer neste momento. Aliás, foi você quem me ensinou que para tudo existe uma música.
Obrigada pela força, pela amizade e por ser o belo presente dos 33.

Ti voglio bene!
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Letra: Canção da América


Amigo é coisa para se guardar
Debaixo de sete chaves
Dentro do coração
Assim falava a canção que na América ouvi
Mas quem cantava chorou
Ao ver o seu amigo partir
Mas quem ficou, no pensamento voou
Com seu canto que o outro lembrou
E quem voou, no pensamento ficou
Com a lembrança que o outro cantou
Amigo é coisa para se guardar
No lado esquerdo do peito
Mesmo que o tempo e a distância digam "não"
Mesmo esquecendo a canção
O que importa é ouvir
A voz que vem do coração
Pois seja o que vier, venha o que vier
Qualquer dia, amigo, eu volto
A te encontrar
Qualquer dia, amigo, a gente vai se encontrar

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Inserimento cultural


Ultimamente tenho me confrontado bastante com pessoas que amam ou odeiam a Itália ou o Brasil. E quando começam a expor o seu ponto de vista, o discurso costuma ser ácido independente da situação. Geralmente são pessoas que viviam mal no Brasil e agora vivem o “sonho dourado” da Europa ou, no caso oposto, vivem mal na Itália e só se recordam das maravilhas tupiniquins. 
Eu me enquadro em qual parte? Naquela que entende que está vivendo outra cultura e aprendendo. Muitas coisas me parecem estranhas; com outras não sou de acordo ou acho um absurdo; enquanto que outras me surpreendem.
Vejo muita arrogância e prepotência nas argumentações dos dois grupos que citei. O filósofo alemão Johann Goethe disse certa vez que "Muitos são orgulhosos por causa daquilo que sabem; face ao que não sabem, são arrogantes". Sou de acordo com este pensamento e vejo que é justamente a ignorância que formenta tantos comentários amargos e contrários como se aqui ou lá tivesse somente o lado positivo ou negativo.
Duas situações que vivi para ilustrar o que escrevo. Caso 1. Sou amante da boa música brasileira. Apesar do meu inserimento quase tardio na área tive a oportunidade de descobrir esta arte tão bem representada por nossos cantores e compositores. Aqui na Itália sempre falei bem do assunto e, ex-assessora de imprensa na área cultural, sei do que falo (até onde posso). Uma dessas pessoas que odeiam o Brasil sempre faz um confronto, pois lembra/conhece somente o lixo indústria fonográfica. Em compensação, para esta, música boa é a italiana que têm cantores reconhecidos no mundo inteiro como Pavarotti (amo este generalismo...rs). Então que certa noite, num programa de TV italiana que faz um concurso para descobrir o novo talento musical infantil, o cantor Toquinho se apresentou junto com alguns das crianças. Garota de Ipanema, Aquarela do Brasil e mais outras duas músicas foram cantadas em italiano. A letra, o cantor e as vozes dos pequenos coroaram a apresentação. Do outro lado eu ouvi a pessoa dizer: ah, isso sim é música boa do Brasil. No que respondi: Mas é disso que venho te dizendo este tempo todo! No que me responde: Mas 80% dos brasileiros só gostam de ouvir porcaria. Goethe tinha razão. Depois desta, dá para continuar o discurso?
Caso 2. Dizem que homem é tudo igual, só muda o nome e o endereço. Não sou de acordo pois entre um homem italiano e um brasileiro existem muitas diferenças. Outro dia conversava com uma amiga, para quem o Brasil é um pedaço do céu, sobre uma qualidade do italiano quando este está interessado numa mulher. Fazia eu o meu discurso e fui interrompida por ela dizendo que eu não conhecia os homens italianos, que eles são estúpidos com as mulheres, interesseiros etc. Ao perceber minha face de pasma, me pediu desculpas dizendo: ah, você sabe que sou apaixonada pelo Brasil, que sempre será melhor para mim, que entre um italiano eu vou preferir 100 vezes um brasileiro. Não resisti e disse: o que posso dizer é que você não saber ser racional, é somente passional, pois uma coisa é amar o Brasil, outra coisa é não conseguir ver qualidades na Itália. O assunto prosseguiu com ela recolocando a frase.
Acredito que um dos motivos de viver feliz aqui na Itália, apesar de não estar no paraíso e passar por muitos perrengues, é que escolhi me inserir na cultura italiana sem esquecer jamais que sou brasileira e com muito orgulho. Meu olhar é de quem observa e também critica, mas acima de tudo, de quem aprende. Qual é a graça de viver a vida achando que sabe tudo? No curso de jornalismo estudamos que uma questão sempre pode ser vista sobre diversas formas e existe o outro lado, a outra versão. Eu escolhi ver a diferença cultural com curiosidade de quem quer descobrir o porquê daquilo ser assim ao invés de achar simplesmente estúpido, feio, ruim ou não. Claro que não dá para ser inocente, mas isso é em qualquer lugar.
No final, melhor mesmo é ser um eterno aprendiz da vida. Independente em qual parte do mundo e da língua que esteja falando.
Para encerrar o assunto, deixo uma música (claro) O que é o que é que diz o que eu penso e canto sempre: viver e não ter a vergonha de ser feliz/ Cantar e cantar a beleza de ser um eterno aprendiz/ Eu sei que a vida poderia ser bem melhor e será/ Mas isso não impede que eu diga/ Que é bonita, é bonita e é bonita! 
Clica no vídeo e ouça na voz da grande Maria Bethania acompanhada das estupendas Miúcha (salve) e Nana Caymmi (salve). Letra do mestre Gonzaguinha.


quinta-feira, 6 de outubro de 2011


Sempre atraí a atenção das pessoas porque tenho duas características marcantes: sou guerreira e sei vibrar. Vêem em mim uma força que às vezes eu penso ser fantasia alheia; depois olho e vejo que ela existe realmente. E procurei a raiz desta e vejo que a minha fé em Deus me leva além daquilo que penso ser capaz. Depois, sempre tive o hábito de admirar os vitoriosos. Ler autobiografia sempre me fascinou. Saber como aquelas pessoas se tornaram uma referência alimenta a minha crença de que “elas conseguiram, eu também consigo!”. E hoje um destes personagens finalizou o seu percurso e deixou a “maçã” realmente sem um pedaço. Steve Jobs, com ele aprendi: não seja um gigante, seja um aprendiz!

"Lembrar que estarei morto em breve é a ferramenta mais importante que já encontrei para me ajudar a tomar grandes decisões. Porque quase tudo - expectativas externas, orgulho, medo de passar vergonha ou falhar - caem diante da morte, deixando apenas o que é apenas importante. Não há razão para não seguir o seu coração. Lembrar que você vai morrer é a melhor maneira que eu conheço para evitar a armadilha de pensar que você tem algo a perder. Você já está nu. Não há razão para não seguir seu coração." - (Steve Jobs, 1955-2011)

Veja todo o discurso abaixo.



sábado, 10 de setembro de 2011

Sábado: o dia besta ou de ser besta!

Sábado é o dia que lavo a alma, esqueço os perrengues do cotidiano e tenho o prazer de estar viva, principalmente aonde escolhi viver. Outro dia uma amiga me perguntou, pelo MSN, se eu não era feliz no Brasil. A resposta não foi um sim nem um não, apenas que eu vivia no lugar errado em que eu era diferente dos demais e isso me deixava desanimada com a vida. Explico para não ser chamada de alienada (e se for, não estou nem ai mesmo!) etc. Sou filha de pessoas simples, que saíram da pobreza e lutaram muito para sustentar os filhos dando (além de amor, carinho e correção) estudo e plano de saúde pagos, casa boa para morar, roupas de qualidade, comida em fartura e muito boa (já disse que sou mineira, né. Mamis tbém!) além de um ambiente social que me fez ir além do que eles me ofereciam. O resultado é que me tornei alguém com um gosto diferente dos meus amigos brasileiros. Eu me relacionava com pessoas mais velhas para não me irritar com as infantilidades dos demais com a mesma idade que a minha. Com os mais velhos eu não era obrigada a ouvir pagode e forró; eles me falavam de Elis Regina, Maria Bethania, Gal Costa, João Gilberto, Vinícius de Moraes e outros. E com isso descobri Adriana Calcanhoto, que amo de viver, aprendi que o samba é lindo e não é sinônimo de Carnaval. Minha reflexão sobre um filme ia além da interpretação do ator ou se os protagonistas terminaram juntos e vivos. Quando ia ao shopping, na hora de comer eu me recusava ir ao Mc’Donalds; ou comia algo regional ou asiático.

Odiava o vizinho que metia música no último volume. Se fosse Kelly Key, Latino, Bello, Joelma (banda Calypso) ou qualquer pagode, forró, axé ou sertanejo, eu sentia um desgosto profundo por ter que suportar algo tão ruim, gratuitamente, no meu dia a dia. Não aceitava o fato que, fora do meu ambiente “intelectualizado”, eu era vista como uma nerd porque fazia uma citação simples de Freud, Platão, Descartes (aquele que disse “penso, logo existo”) ou de um comunicólogo-sociólogo-antropólogo-pensador qualquer. Junto com tantas outras coisas, isso me fazia desejar viver num lugar em que ter gosto pelo o que é realmente bom não era visto como “coisa de gente besta”. Pois é, e justamente aqui eu faço coisa de gente besta, e intitulei o meu sábado como o dia de ser besta-fresca-metida-nerd e, copiando o slogan do Mc’Donalds, AMO MUITO TUDO ISSO!

Quer ver como é besta? Comecei o dia, bem tarde, conversando com os meus vizinhos. Detalhe que eu amo, o que separa os nossos jardins e quintais é uma grade baixa com 1metro de altura. Sabe aquela coisa de cumprimentar as pessoas, contar algo divertido, uma novidade, desejar um bom dia e pronto? Besta, mas tão bom quando você consegue conversar com alguém que mora ao seu lado que não seja: é, está quente; ou, vai chover; ou algo sem “nada a ver” somente porque as relações pessoais são distantes.

Depois, sempre com a bicicleta, fui tomar um bello cappuccino com uma brioche recheada de amêndoas na padaria/caffeteria próxima a minha casa. Lá coloquei minha leitura do noticiário em dia (o italiano está em desespero com a queda das bolsas de valores, novamente) e observei como o lugar estava movimentado com presença de pessoas jovens, adultos e grupos de velhinhas que colocavam a conversa em dia. Saí da padaria já com o pão que farei minhas bruschettas para esta noite. Deixei o pão em casa, e hora de pedalar pelos lugares que gosto de ir. Claro que, como já era tarde, terminei minha pedalada no centro de Treviso, no mercado, e fiz um brunch na Tavernetta Butterfly que tem uma ótima cozinha com base no peixe. Leia os comentários aqui. O lugar é sempre cheio. Você escolhe o que quer comer, eles colocam num pratinho e se come sobre o balcão ou na calçada. Dentro, ainda tem um restaurante muito bem freqüentado. São simplesmente maravilhosas as bruschettas, os espetinhos fritos, os sanduíches, a seleção de prosecco e vinhos. Hoje escolhi 3 bruschettas: de bacalhau na manteiga, de salmão, e tomate com fileto de Alice. Tudo acompanhado de um prosecco. Nota 10 para o trio com a bebida. Depois pebi uma posta de bacalhau frito. Ficou muito a desejar, não senti gosto nenhum. Zero. Não peço mais.

Voltei para casa. Olha, vou ser muito besta dizendo que o percurso é lindo, mas como o dia me permite ser-lo, então eu digo, o caminho que faço é liiiindo. Ainda vejo alguns patos, marrecos e cisnei pelos córregos que cortam toda a cidade. Restaram alguns que breve partirão em busca de temperatura mais quente visto que o outono já está com a cara na porta.

Uma pequena pausa para colocar em ordem algumas coisas e me preparar para o cinema, depois igreja e... ah, talvez nem faça isso. Não está nada determinado ao certo. O que posso garantir é que até o presente momento sinto que estou no lugar certo, me sentindo uma pessoa normal, que faz o que gosta e, mais importante de tudo, sendo feliz com coisas tão simples. E olha que não fiz nenhuma citação de Freud, ainda! Quem me explica isso?..rs

La vita é bella!

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Ahinnnnn

Estava eu, linda, inteligente e magra (hoho), preparando um post sobre "o discurso" (área da comunicação que muito me atrai), e entrando na questão comparação BrasilxItália, quando me deparo com um post sobre pessoas que sabem aproveitar bem a vida sem se apegar a "isso é melhor que aquilo". Simplesmente perdi o interesse, por enquanto, de usar o meu conhecimento de sociologia, antropologia, comunicação e politica social para escrever sobre o eterno debate do "aqui é assim e lá assado ou este é melhor que aquele". Até porque, no post que li sobre aquelas pessoas bacanas, eles estavam mais interessados em brindar à vida, ao amor e à felicidade sem se importar se o vinho era italiano, chileno ou argentino. Para eles, bastava que fosse realmente bom para o paladar apurado deles (e que se dane o mundo que pense o contrário). No final, uma declaração de amor à esposa aniversariante. Aqui entra o meu momento brega, romântico (ok, já dei a cara à tapa antes ao assumir este meu lado) e completamente "ahinnnnnn".
Sendo redundante ao post anterior, o que importa é ser feliz.
E toca a vida!

domingo, 4 de setembro de 2011

Música do dia: Vivere, Vasco Rossi

Ser feliz incomoda os infelizes (invejosos) principalmente quando a felicidade é vivida de forma tão simples que parece até uma besteira. Sou muito feliz apesar de viver momentos tristes e, por vezes, até longos. Mas sou feliz e luto todos os dias por isso. É fácil? Não, mas aprendi algumas coisas que vou dividir com vocês, meus cinco leitores!

1. Eu me amo e tenho orgulho da pessoa que me tornei;
2. Conheceço as minha qualidades e sei que posso ir longe com elas;
3. Não me levo tão a sério. Sei que falho e posso pisar na bola como qualquer pessoa;
4. Conheço quase todos os meus defeitos e entendi que eles fazem parte de mim assim como as minhas qualidades. Procuro melhorar os que posso, os que não consigo eu trabalho uma qualidade para compensar na balança, mas entendi que eles não são meus inimigos os quais devo combater até a morte pois seria uma guerra contra mim mesma;
5. Sou positiva na vida.

Não entendeu nada deste post? Ok. É apenas uma forma de dizer a mim mesma que vale a pena ser feliz sem me incomodar com as frustações alheias.

E para finalizar, um música de Vasco Rossi, Vivere, que fala justamente sobre isso.


Una buona settimana a tutti!

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Il caldo italiano (o calor italiano)


Desde o último sábado a Itália vive uma onda de calor que têm feito várias vítimas principalmente entre os idosos e crianças. A sensação abafada nas cidades chegou justamente no retorno das férias o que deixa muitos italianos desesperados no momento de ir trabalhar. Para mim, um dos piores momentos é a noite para dormir. Sem ar condicionado, usando apenas o ventilador, não consigo dormir. Do pouco que consigo, é um sono que não descansa. Transpiro toda a noite. Os cabelos acordam molhados. Se alguém disser que europeu não sabe o que é o calor do Rio 40° posso dizer que está enganado. Conhecem sim. Como as paredes das casas mais antigas são largas, os ambientes internos mantêm a temperatura quente. Sem ar fresco ventilado, o jeito é fechar as janelas e manter as taparelas baixas.

Claro que a temperatura alta também serve como argumento para começar uma conversar com o vizinho. Igual em qualquer parte do mundo. A diferença é que aqui sempre termina dizendo: Vedrai che presto cominciamo a lamentare del fredo! (Vai ver, daqui a pouco começamos a lamentar do frio!). Melhor assim pois não estou mais agüentando a temperatura de 37° dos últimos dias.

E o Meteo.it traz uma boa notícia: está previsto, para amanhã, chuva e temperatura de 23°. E toda a semana com termometro abaixo dos 30°. Aleluia! Contagem regressiva para o Outono.

Baci

sábado, 20 de agosto de 2011

Enquanto isso


Minhas férias este ano foram bem modestas. Escolhi conhecer cidades em que eu podia fazer bate e volta e assim economizar no hotel. Fui a Ferrara e Mantova, faltando ainda Bolonha e Parma. Apesar de pequenas viagens me sinto no sétimo céu. Basta começar as pesquisas sobre o que fazer em cada cidade que já me transformo. Para melhorar meu humor, ou melhor dizendo, pra me fazer feliz, basta entrar no trem e ver as paisagens passando por mim. A sensação é libertadora. Como eu disse aos meus chefes, eu me sinto uma eterna turista na Itália.

E foi falando das minhas férias para uns jovens do bar, aonde gosto de tomar meu cappuccino, que acabei revelando ser uma jornalista no Brasil. Antes quero explicar uma coisa. Apesar de ser baby siter aqui, não me sinto uma de fato. Gosto das crianças das quais eu cuido, este trabalho é o que me mantêm dignamente mas para mim é apenas uma fase, um momento da minha vida na Itália pois eu sei que vou conseguir ir por outros caminhos profissionais, àqueles os quais em vim buscar. Dito isso, posso dizer que os dois atendentes, Sara e Niko, ficaram surpresos com aquela reveleção. E contei um pouco da minha história, de que estou aqui por uma escolha e não porque não tinha trabalho ou passava fome no Brasil, que gosto daqui, da importância de conhecer o mundo, de ir a outros lugares etc. E deixei a mensagem que é preciso sair do mundinho em que vivemos para ver o mundo com os próprios olhos e entendermos como ele é realmente grande e interessante. Acho que depois disso virei uma heroína para eles...rs!

O fato é que vendo as fotos das viagens, lembrando das sensações (e do calor) que senti em cada lugar, me veio a imagem do Bondinho do Pão de Açúcar e do Cristo Redentor na minha cabeça. É, o Rio de Janeiro continua lá no fundo do meu subconciente me convidando a ir conhecê-lo. E todas as vezes que leio algo sobre a Cidade Maravilhosa eu me dou conta de como é bello ser brasileira. Fazendo um zig-zag pela net, entre um link e outro, me deparei com a proposta do site da revista 4Rodas - Maravilhosa, sete roteiros para curtir e passear no Rio de Janeiro.

Sim, ainda serei turista também no Brasil. Saudades.


segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Ferrara, Città del Rinascimento - III (FINAL)

Os meus cinco leitores sabem que eu gosto de me sentir livre nos meus roteiros, apesar de serem perfeitamente planejados, e sair andando sem rumo pelas ruas e becos dos lugares. Eu gosto de me perder e me surpreender com o que está fora do script. E a parte da tarde eu usei justamente para conhecer uma Ferrara sem mapa. Foi justamente assim que encontrei uma osteria escondida enquanto andava em direção ao Palácio dos Diamantes. Pequena e quente, localizada em frente à Igreja de Jesus, o restaurante tinha um cardápio simples, mas que me serviu uma especialidade local, o cappellacci com creme de leite e rúcula. Só para explicar, o nome é este mesmo e diferencia dos “primos” cappelletti porque o recheio é de abóbora e queijo parmesão (coisa de italiano que, se muda algo numa receita então é outra coisa e tem que ter outro nome). Como se diz por aqui: ho mangiato da Dio! Para acompanhar: água fresca, merecida pois o calor era digno de solo tropical, e um caffè para finalizar (não podia faltar).

Satisfeita com a delícia da mesa local (que mais uma vez me fez associar à Minas Gerais) fui andar despretensiosamente, e assim eu descobri o gueto judeu existente desde os primeiros moradores da cidade. Fechei o olho e me senti dentro de um filme. Podia sentir o barulho das carroças passando, o cheiro do esterco e esgoto, as pessoas andando. Talvez, quem sabe, prostitutas abordando possíveis clientes, criança correndo atrás de cachorro, homem bêbado na rua. Sim, sou muito fantasiosa e isso conta na hora de fazer uma viagem como esta. Melhor mostrar com imagens e tentar explicar cada coisa. Tentar! Já ia esquecendo: Ah eu com uma Nikon D90!


Cara de quem vai voltar!
De comer de joelhos: cappellacci de abóbora ao molho de creme de leite e rúcula


Próximo ao Duomo, uma das entradas medievais da cidade.


Em um beco qualquer.




Gueto judeu

Igreja de São Paulo
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E, pode ser que amanha faço outra viagem bate-volta. Destino: Mantova!
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Ciao a tutti!

Ferrara, Città del Rinascimento - II

Voltando ao Castelo Estense, pela rua de trás, está o Duomo, sec. XII, que em sua fachada tem uma profusão do estilo gótico e romântico com relevos representando cenas do Juízo Universal. Na frente, dois leões em mármore rosa fazem a guarda espiritual dos visitantes. A beleza da catedral é ainda maior no seu interior com pinturas de São Pedro e São Paulo, A virgem no céu com santa Bárbara e Catarina, esculturas do século 1400 entre outras preciosidades não captadas pelas fracas lentes da minha máquina fotográfica (*).

Já em frente ao Duomo está o Palácio Municipal com seu portão imponente que possui duas colunas adornadas com estátuas. Uma do marquês Niccolò III no cavalo e, a outra, do duque Borso d’Este no trono.


Ao lado do Duomo está a Praça Trento e Trieste, antigamente chamada praça das ervas, e foi por muitos séculos o principal mercado da cidade. É interessante notar no local que tem pequenos casebres construídos como se fossem um “puxadinho”. Ao observar o lugar pensei que daqui ha 500 anos os barracos brasileiros vão ser visto como uma importante arquitetura de nosso tempo (brincadeira)! Junto a este aglomerado está o campanelo do Duomo numa torre rosa e branco que se destaca na paisagem plana da cidade.

Ferrara, Città del Rinascimento - I

Domingo coloquei o pé na estrada para fazer uma das coisas que mais gosto, viagem bate-volta. Desta vez a escolhida foi Ferrara que da tanto já tinha vontade de conhecer. Sempre que passava de trem pela cidade a sua cor de tijolinho me despertava a atenção. Procurei mais informações sobre o lugar e os muitos adjetivos para a culinária local me convenceram a partir, leia-se pecado da gula. Reconhecida pela UNESCO, em 1995, como “Cidade do Renascimento”, Ferrara é uma daquelas surpresas italianas que infelizmente passam despercebidos aos olhos dos turistas menos atentos. Localizada na região da Emilia Romagna, somente 1h30 de distância partindo de Venezia, possui um centro histórico renascentista intacto onde é possível notar os primeiros projetos de planejamento urbano daquele período e que influenciaram os séculos seguintes. Soma-se a isso, além da culinária maravilhosa, italianos sempre sorridentes. Pronto, me senti como se estivesse em Minas Gerais, passeando por aquelas cidades esquecidas pelo mundo, tranqüilas e com aroma da cozinha saindo pelas janelas! Por onde passava eu pensava, lamentosamente: Ah eu com uma Nikon D90! (*).

Os primeiros registros da cidade são do sec. VII d.C., e vários príncipes governaram a região que foi uma das mais influentes e ricas da Itália. A mais importante de todas foi a dinastia d’Este que deixou forte legado com os seus castelos e fortes. A família subiu ao poder no final do sec. XIII até XVI quando foi obrigada pelo Papa a se transferir para Modena.

O Castelo Estense è o principal cartão postal da cidade. Construído por Niccolò II d’Este, após uma revolta popular, que entendeu ser necessário erguer uma fortaleza para proteger sua família. A construção é tudo o que eu tinha no meu imaginário sobre um castelo medieval (*): ponte movediça, foço, prisão e sala de tortura, cozinha com vários fornos, passagem secreta subterrânea para o edifício militar (hoje, Palácio Municipal) etc. Séculos mais tarde o castelo se transforma em residência da corte e, no Renascimento, transforma-se em um espaço luxuoso com as obras de vários pintores e artistas. Quem escolhe visitar o interior não corre o risco de sair com um torcicolo já que a administração disponibilizou grandes espelhos no chão que refletem pinturas do teto. Bela idéia!


Espelhos para ver as pinturas do teto!

Saí de lá para conhecer o Palácio dos Diamantes que fica alguns metros dali, mas no sentindo oposto que eu faria mais tarde. Projetado por Biagio Rossetti, o edifício recebe este nome devido os 8.500 blocos de mármore branco e rosa como se fossem pontas dos ângulos de diamantes. Hoje é um museu de arte moderna além de manter mostra contínua de obras de principais artistas renascentistas. Não entrei no palácio mas dava para ver que se preparavam para a próxima mostra A Paris de Modigliani, Picasso e Dalí, que começa no dia 11 de setembro.



sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Ordem e progresso... na Itália


Acabo de voltar do supermercado e me dei conta que há tempos queria falar como é fazer compras por aqui. A palavra de ordem é... ordem. Para começar não existe tantos funcionários rodando dentro do supermercado a disposição do cliente. Já sabendo disso todos colaboram de forma a manter o bom funcionamento e atendimento geral, que já não é uma Brastemp. E carrinho de compra sempre faz uma bagunça. Por aqui não pois quem pega um para utilizar precisa "pagar" para isso tendo o dinheiro de volta no moemnto da devolução. Como? Os carrinhos ficam presos uns aos outros por meio de uma corrente com um gancho, como na foto acima. Para liberar-lo é preciso enfiar uma moeda de 1€. No final, para não perder dinheiro, a própria pessoa tem que levar o carrinho no mesmo lugar aonde pegou, enfiar o gancho na posição contrária e, ecco! , livre com o dinheiro na mão.
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Alguns podem pensar que 1€ não custa nada portanto pode abandonar o carrinho no estacionamento. Aí entra a questão mais interessante deste discurso, a mentalidade italiana. O povo da Bota vive o ditado "de grão em grão a galinha enche o papo" literalmente. Isto se reflete de forma tão natural no modo de viver que ninguém pensa em dar, a um cliente, bala como troco. Mesmo que seja apenas 0,01€ (as moedas funcionam muito bem!).
Isto porque aqui dinheiro têm valor. Para o italiano aquele dinheiro que se deixa para trás (no supermercado ou pagando estacionamento quando se pode usar bicicleta, por exemplo) significa uma quantia X que ele perde e que poderia ser usado para comprar uma roupa, pintar a casa, fazer uma viagem, trocar o pneu etc. E assim cada um sabe quanto realmente custa cada coisa.
E segue a vida.
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Ciao!

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Parabéns!


A Idade de Ser Feliz, autor desconhecido

Existe somente uma idade para a gente ser feliz,
somente uma época na vida de cada pessoa
em que é possível sonhar e fazer planos
e ter energia bastante para realizá-las
a despeito de todas as dificuldades e obstáculos.

Uma só idade para a gente se encantar com a vida e viver apaixonadamente
e desfrutar tudo com toda intensidade
sem medo, nem culpa de sentir prazer.

Fase dourada em que a gente pode criar
e recriar a vida,
a nossa própria imagem e semelhança
e vestir-se com todas as cores
e experimentar todos os sabores
e entregar-se a todos os amores
sem preconceito nem pudor.

Tempo de entusiasmo e coragem
em que todo o desafio é mais um convite à luta
que a gente enfrenta com toda disposição
de tentar algo NOVO, de NOVO e de NOVO,
e quantas vezes for preciso.

Essa idade tão fugaz na vida da gente
chama-se PRESENTE
e tem a duração do instante que passa."


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Na infinitude deste dia, Auguri!

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Bons e velhos hábitos

Depois de anos voltei a ler como antes. Estou cantando vitória pois consegui ler um livro de 419 em apenas dois dias e, o melhor de tudo, em italiano. Como num passe de mágica voltou minha leitura dinâmica justamente quando achava que não conseguiria ler como quando era uma adolescente. Que prazer descobrir que estava enganada. Confesso que livros em italiano eu li poucos. Não gostava da narrativa e tudo ficava tedioso até ser presenteada pela minha vizinha com um belo romance. A história passava na Rússica do século 17. Simples e encantador.
Para tirar o atraso já peguei dois livros para serem devorados nas duas semanas de férias que começam amanhã. Um é I sogni di mio padre, de Barack Obama, e o outro é Grande Amor, de Ann Brashares.
E por falar em férias, como estou em tempo de economia total, resolvi aproveitar para conhecer as cidades da Emilia Romagna e elegi Ferrara, Bologna e voltar novamente a Ravena. Caso ainda haja possibilidades dou um pulo em Roma. Talvez um final de semana, quem sabe!
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Ciao a tutti!

sábado, 23 de julho de 2011

Carta

Ciao Cláudia,

O tempo tem passado com tanta rapidez que mal me dei conta que não te escrevo há alguns meses. São tantas coisas acontecendo, mas ao mesmo tempo tudo correndo como tinha pensado. É interessante observar o fluxo natural da vida e a sua normalidade como se aquilo fosse como as ondas de um mar calmo. Neste momento tenho vivido o tão esperado momento de calmaria que tanto desejei. E tudo começou na Páscoa em que tive coragem de olhar no olho do furacão e admitir para mim mesma uma verdade que recusava aceitar. Depois veio a “volta à realidade” de que existem tantas coisas boas e belas a serem vividas, e, o melhor de tudo, o desejo real de vivê-las.

Calar e ouvir. Regra importante, mas difícil para uma pessoa, que como diz uma amiga, comeu língua de papagaio quando criança. E foi ouvindo que soube de uma história linda, daquelas que fazem os olhos brilharem e o sorriso aparecer fácil no rosto.

Cláudia, foi ali que vi que estava já alguns passos da saída do túnel que tenho, ou tinha, peregrinado por mais de um ano. Esquecer um grande amor é tão difícil quanto manter-lo. E é necessário se despedir, algo que acontece duas vezes neste processo. A primeira é a despedida do ser amado, tão cruel e dolorido que parece uma guerra contra si mesmo. Você sabe do que estou falando, né! A outra despedida é quando já não existe mais a pessoa, mas sim a lembrança e saudade de uma história vivida na qual nos apegamos como um bote salva vidas. Quando se consegue se despedir desta última, ecco, final da história, é à saída do túnel. Acredito que faltam apenas dois passos para sair completamente dele.

Não sei o que acontecerá neste percurso até que eu chegue onde você está hoje, me lendo. Acredito que esteja mais sábia, realizada e prudente. Mas se posso deixar um registro de coisas importantes que me ajudaram neste percurso, e assim se lembrar sempre que for preciso, te direi:

Lembre-se da Geórgia, melhor usar a net na recepção que no quarto; Reciprocidade precisa ser uma constante num relacionamento; e, preserve o que há de mais belo ao invés de trabalhar o negativo. Isto evita o caminho da frustração e amargura pessoal.

Obrigada por me ler. Acho que você também desejava esta notícia.


Saudosamente, Cláudia.

sábado, 2 de julho de 2011

Música do dia: Il Mio Amore Unico


E para finalizar as postagens de hoje vos deixo a música do dia, por Dolcenera, uma jovem cantora com uma voz potente e envolvente.

Arrivederci!

Das comparações Brasil x Itália

Sempre fiz duras críticas a alguns maus hábitos de higiene italiana como o fato da mesma mão que pega o pão também recebe o dinheiro no caixa da padaria. Esta semana, no entanto, eu fui chamada a atenção pela falta de higiene brasileira com a venda de carnes. Uma italiana falava do seu amor pelo Brasil, do clima, das pessoas, da alegria etc., mas não deixou escapar que ficou horrorizada de como a carne é exposta nos mercados (feiras). Ri e concordei. É o tipo de coisa que não dá para dizer que não é bem assim.

É isso mesmo, no Brasil as pessoas compram carne nas feiras aonde moscas sobrevoam, tem poeira de tudo quanto é lado, gente passando de baixo para cima e ali do lado ainda tem porco, pato e galinhas vivas para serem vendidos. Sem contar que o chão em volta é uma nojeira. Nem quis explicar que no Brasil existe o hábito de lavar a carne antes de prepará-la. Do lado de cá ninguém ia entender isto visto que o controle de higiene, com as carnes, é altíssimo, as pessoas compram a parte que desejam prontos para o preparo. Explicam que lavar a carne antes tira o gosto.

Alias, o preparo desta comida é algo diferente do que conhecemos no Brasil. Nada de colocar sal ou algum tempero antes para pegar sabor. A carne por estes lados não são saborosas como as nossas, talvez venha daí a despreocupação em não lavá-las antes do preparo, e aqui se gosta de sentir o gosto delas. Então, um simples bife é colocado na panela com pouquíssimo óleo para uma cotura breve, nada de tostar, quase ao sangue e somente quando está no prato é que coloca sal e temperos. Para dizer a verdade eu gosto.

Já que estou falando de comida, semana passada fiz bruschettas de pomodoro e basilico. Boooommmm. Também fiz brigadeiro para o aniversário de um dos meninos que trabalho. Fui aplaudida pela delícia preparada.

Hoje, depois de voltar da feira, preparei meu almoço: sardinhas assadas (com um fio de azeite, orégano e sal) e batatas com salsinha. Como fruta, melão.

E agora é descansar um pouquinho, esperar o sol abaixar e ir ver o Saldi, nada mais é que a liquidação que todas as lojas fazem para queima de estoques, que começa hoje. Tem data para começar e acabar. É a época justa para comprar aquilo que estava com os preços nas estrelas.

Se fosse para resumir o que sinto neste momento eu diria: Amo muito tudo isso.

Ciao a tutti e a doppo!

sábado, 25 de junho de 2011

Dicas de viagem

Inquieta com o desejo de viajar comecei a vasculhar neste universo da net e me deparei com duas oportunidades de viagens muito interessantes, dentro da Itália ou para Alemanha, Suíça ou Austria, que resolvi compartilhar com o meu público de cinco pessoas.
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A primeira é a promoção do cartão de vantagens Cartafreccia que permite viajar nos sábados com 50% de desconto. A oferta vai até o dia 27 de agosto e é válida para todos os trens da Trenitalia e a passagem com desconto pode ser comprada até a sexta-feira anterior. O cartão é gratuito e basta ir no site e preencher os dados. Na prática eu tentei comprar um bilhete pela net e nao consegui nenhum desconto. Na bilheteria da estação eu descobri que tem quantidade de vagas com desconto, portanto, quanto mais cedo comprar mais chances têm.
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A segundo foi uma surpresa das boas. Descobri a companhia alema-austríaca que atua na Itália, a OBB-Italia. Pelo site é possível comprar passagens muito mais em conta para ir aos dois países com preços mais vantajosos que os da Trenitalia. Ah, e tem as ofertas atuais que são verdadeiros descontos. Quando olhei a passagem para Austria (Villach-Klagenfurt), saindo de Udine, sai por apenas €9. O mesmo valor que pago para ir a Verona!

Outra companhia, ou que atua junto com a OBB (nao entendi direito), que faz Austria e Alemanha é a BAHN. Esta tem uma interessante proposta de ofertas do tipo, atualmente oferece descontos para quem quer ir a Wurzburg, cidade alemã que ha mais de 90 anos realiza o mais antico Festival di Mozart da Alemanha e um dos mais importantes do mundo. Gosta de música e quer acrescentar mais cultura na viagem além dos museus? Então fica a dica e olhar o site. Juro que não estou sendo paga pelas empresas. Simplesmente achei bom e desejei compartilhar com o meu público.
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Baci

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Tip's

Esta semana eu vi minha filha. Fiquei paralisada com aquele encontro. Ela brincava no parquinho da praia, depois na areia e gostou de mim. Sempre me mostrava às mãozinhas sujas de areia. Lágrimas banharam o meu rosto. As sobrancelhas eram perfeitas. Quis pega-la para mim, então me dei conta que o homem ao lado dela era o pai e ela não poderia ser minha filha pois o pai era outro. A pequena tem 3 anos. Perguntei o nome e não poderia ser outro se não Gióia.

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Vontade enorme de viajar, de colocar o pé na estrada, de olhar mapas e procurar albergues na net. Por enquanto fico quieta pois tenho um objetivo maior, mas os meus olhos pedem para ver algo diferente, meu cérebro precisa de novos conhecimentos e o paladar de novos gostos.

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Ando com medo do imprevisto!

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Tomar gelato é bom demais. Meus preferidos, por enquanto, deste verão: limão, canela com calda de laranja e ricota com figo.

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Amanhã é sábado, ou seja, dia de comer bruschetta na feira. Bacallá amantegato e salmon estão certos na lista.

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Eu quero viajaaaaaaaaaaaaarrrrrrrrr!!!!!!!!!!!!

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Ciao a tutti.

domingo, 12 de junho de 2011

Feliz Dia dos Namorados

Foto: Marina Favato
Para Viver um Grande Amor

É preciso abrir todas as portas que fecham o coração.
Quebrar barreiras construídas ao longo do tempo,
Por amores do passado que foram em vão
É preciso muita renúncia em ser e mudança no pensar.
É preciso não esquecer que ninguém vem perfeito para nós!
É preciso ver o outro com os olhos da alma e se deixar cativar!
É preciso renunciar ao que não agrada ao seu amor...
Para que se moldem um ao outro como se molda uma escultura,
Aparando as arestas que podem machucar.
É como lapidar um diamante bruto...para fazê-lo brilhar!
E quando decidir que chegou a sua hora de amar,
Lembre-se que é preciso haver identificação de almas!
De gostos, de gestos, de pele...
No modo de sentir e de pensar!
É preciso ver a luz iluminar a aura,
Dando uma chance para que o amor te encontre
Na suavidade morna de uma noite calma...
É preciso se entregar de corpo e alma!
É preciso ter dentro do coração um sonho
Que se acalenta no desejo de: amar e ser amada!
É preciso conhecer no outro o ser tão procurado!
É preciso conquistar e se deixar seduzir...
Entrar no jogo da sedução e deixar fluir!
Amar com emoção para se saber sentir
A sensação do momento em que o amor te devora!
E quando você estiver vivendo no clímax dessa paixão,
Que sinta que essa foi a melhor de suas escolhas!
Que foi seu grande desafio... e o passo mais acertado
De todos os caminhos de sua vida trilhados!
Mas se assim não for...
Que nunca te arrependas pelo amor dado!
Faz parte da vida arriscar-se por um sonho...
Porque se não fosse assim, nunca teríamos sonhado!
Mas, antes de tudo, que você saiba que tem aliado.
Ele se chama TEMPO... seu melhor amigo.
Só ele pode dar todas as certezas do amanhã...
A certeza que... realmente você amou.
A certeza que... realmente você foi amada.

De Carlos Drummond de Andrade

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Águia

"A Águia e a Galinha é um livro de Leonardo Boff que apresenta uma metáfora da condição humana através da história de uma águia que, tendo sido capturada por um camponês, era criada junto às galinhas. Com o passar dos anos ela vai se acostumando a essa condição e passa a acreditar que era uma ga2linha de verdade, até o dia que aparece um naturalista e a faz enxergar quem ela realmente era." Wikipedia.

A narrativa fala das limitações e comodismos do cotidiano que nos impedem de ir além do que podemos/somos, na figura da galinha, e os obstáculos para visualizarmos o ilimitado através dos nossos sonhos, com a águia.

Ontem tive notícias de uma águia que deu o seu primeiro vôo após anos vivendo entre galinhas. Do meu mundo, do meu universo, estou desejando belos e longos vôos, com sabedoria na hora de escolher aonde fazer o seu ninho.

Sucesso, caro mio!

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Coisas da vida

Aos 18 anos eu imaginava que, quando chegasse aos 35 anos, seria uma famosa arquiteta com casas publicadas nas revistas Arquitetura&Construção e A&D, falaria 4 idiomas, teria uma bela casa de dois andares com as paredes externas cobertas por trepadeiras, um belo carro, estaria casada com o amor da minha vida, teríamos um cachorro, dois filhos (dos 12 imaginados), teria conhecido as principais capitais européias, Paris-Firenze-NY seriam os meus destinos de feriados prolongados, as férias seriam viajando pelo mundo, ainda faria academia todos os dias, curso de canto e fotografia. Ah sim, isso tudo num corpitcho de manequim 42, cabelos longos como comercial de shampoo e sorriso Colgate!

Agora, se alguém me dissesse que aos 34 anos eu teria feito uma universidade de jornalismo, entre as disciplinas haveria o curso de fotografia, além de uma pós em assessoria de imprensa, atuaria na área, conheceria pessoas incríveis que abririam as portas culturais para o mundo musical e cinema, me realizaria profissionalmente e jogaria tudo para o alto para ver o mundo com meus olhos, iria morar na Itália (a 20min de Veneza), aprenderia italiano, abriria ainda mais meus horizontes para a cultura, conheceria lugares incríveis, comerias as delicias que os homens são capazes de produzir na cozinha, beberia vinhos maravilhosos, fotografaria com a retina momentos que uma maquina fotográfica não tem a capacidade de registrar, seria baby siter e ainda quando voltasse de bicicleta para casa ficaria toda molhada de chuva e mesmo assim amaria tudo isso, eu sinceramente não acreditaria nesta pessoa.

Porque é quase impossível fazer alguém acreditar que sou feliz vivendo com simplicidade e ao mesmo tempo com uma riqueza tão grande a minha volta. A chuva de hoje me fez sentir mais uma vez realizada. Definitivamente eu não estava dentro de um carro, em pleno congestionamento por causa da chuva, olhando para o relógio que me dizia que estava atrasada com a reunião de um cliente chato. Será que alguém mais neste mundo consegue ver beleza e realização nisso tudo como eu vejo? Ou os meus olhos são adestrados somente para ver o positivo? Pode ser que, como já disse outra vez, uso óculos com flores. É bom viver a realidade do sonho.

Ciao a tutti!

terça-feira, 31 de maio de 2011

Temperatura aumentando

Foi dada a largada para o verão 2011. Na TV as pautas de sempre: academia, alimentação e hidratação, perder peso, biquíni, praia, férias etc. Para quem não conhece pode imaginar que é igual ao Brasil, mas não. O inicio do verão na Itália é um fenômeno interessante a ser observado e como influencia as pessoas. Surge uma atmosfera diferente de como se todas as pessoas fossem sair de férias e estão se preparando para isso. De uma hora para outra não importa mais o que o Berlusconi faz, se o Milan vai jogar contra o Inter, se a Ferrari não está bem na F1. Importa somente a praia, mesmo que seja alguma horrível como a de Jesolo (leia-se Iesolo), ou se vai fugir dela e ir em direção das montanhas.

Eu gosto deste clima de férias. Para quem vai é hora de recarregar as energias, quem fica desacelera a vida. As cidades (exceto as de praia) ficam vazias, é possível achar estacionamento no centro, andar de bicicleta é mais tranqüilo, enfim parece que tudo entrou em câmera lenta.

Este ano eu vou passar as semanas de Junho e Julho na pavorosa Jesolo com a família para a qual sou baby siter. Feliz da vida eu não estou mas vou tentar aproveitar pois de limões se fazem limonadas, certo? Se o humor é dos bons se faz é uma boa caipirinha!..rs

E no Brasil o friozinho chegando.

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Mudando de assunto para contar uma ótima notícia: hoje eu peguei o meu documento (permesso) renovado para mais dois anos! Ufa, menos uma coisa para pensar.

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Ciao a tutti!

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Coisinhas

Vi em outro blog, achei legal a idéia e vou fazer aqui: a quantidade de anos contados em formas de coisinhas aleatórias sobre a minha vida. Vamos là!

  1. Nasci branca e com poucos cabelos, hoje sou morena e continuo com poucos cabelos;
  2. No dia do meu aniversário minha mãe só me dá os parabéns depois das 18h, hora do meu nascimento;
  3. Minha fé em Deus determina o meu caráter e personalidade;
  4. Minha cor favorita é o alaranjado, mas para roupa eu vou com azul ou rosa forte;
  5. Meu xodó é a minha cachorrinha Penélope. Por causa dela eu diminuí o consumo de carne vermelha. Tenho dó das vaquinhas;
  6. Até o fim do segundo grau eu fiquei de recuperação, em todos os períodos, em Matemática;
  7. Não durmo com as portas do guarda roupa abertas;
  8. Preciso de oito horas de sono por dia;
  9. Durmo com um travesseiro no meio das pernas;
  10. Sou mineira apaixonada. Acho que o céu de Minas é mais azul, a vegetação mais verde, as mulheres mais bonitas, a comida mais gostosa, sei cantar até o hino do Estado;
  11. Já amei duas vezes na vida. Em uma delas vivi uma história como eu sempre sonhei;
  12. Perdi contato com a minha melhor amiga por mais de 12 anos, nos reencontramos por meio da internet, nos vimos ao vivo uma vez, mas nos falamos todos os dias, via net. Mais presente na minha vida, impossível;
  13. A internet trouxe grandes presentes na minha vida em forma de pessoas;
  14. Minha comida preferida é peixe e frutos do mar. Não consigo fazer outro pedido que não inclua isso no meu cardápio;
  15. Tive letra bonita, redonda, quase desenhada, até entrar na faculdade;
  16. Gosto de sorvete de frutas, cappuccino e tudo o que tem café;
  17. Ouço música constantemente. Para cada momento da minha vida existe uma música certa;
  18. Tenho um irmão;
  19. Sou flamenguista;
  20. Todos os dias eu leio vários blogs/sites sobre casamento;
  21. Sou apaixonada por fotografia;
  22. Não sei nadar apesar de ter morado em cidade de praia por 16 anos;
  23. Tenho 23 pintinhas no rosto, e não da para perceber;
  24. Acredito no verdadeiro amor;
  25. Sou desafinada;
  26. Tenho gastura de talco;
  27. Minha coragem é um pouquinho maior que o meu medo;
  28. Gosto de números ímpares;
  29. Lambo a tampinha do iogurt;
  30. Preciso de um canto para deixar tudo bagunçado, geralmente meu guarda roupa;
  31. Prefiro ser carona à motorista;
  32. Sou aventureira;
  33. Não ligo para dinheiro;
  34. Sou positiva diante da vida.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Festa para os olhos e manjar para o paladar

Viver num outro país não é apenas a forma mais fácil para imersão de uma nova língua, mas de toda a cultura local. E se tratando da culinária, é preciso realmente viver como um nativo da região para descobrir as delícias do quintal que muitas vezes não fazem a festa em nossa mesa. Claro que nem tudo que é bom numa região vai ser boa na outra. Diz o ditado que o “sol nasce para todos”, mas a forma como ele incide sobre cada terreno, a qualidade da terra, a abundância ou escassez da chuva etc. vai interferir diretamente na qualidade de um produto. Por isso que o abacaxi, a banana, o mamão e a manga são mais saborosos no Brasil que na Europa. Porém, ao vir por estes lados de cá, abra a tua cabeça e dê uma oportunidade para algumas verduras e frutas que aqui fazem a alegria numa refeição. Acredite, são verdadeiros deleite ao paladar. Vamos aos “causos”:

Pimentão: Esqueça o gosto ácido daqueles que existem no Brasil. Aqui eles são doces*, saborosos e são comidos crus nas saladas, grelhado, refogado, recheado, frito, em conserva etc. Os mais consumidos são os amarelos e vermelhos.

Abobrinha verde: Não é aquela coisa verde, aguada e sem gosto que conhecemos. Tem sabor próprio, é doce (!) *, com a casca crocante e pequena. O italiano é tão apaixonado por elas que até as flores são devoradas. Devo confessar, eu também amo come-las cruas enquanto vou cortando para o preparo de algum prato.

Couve flor e cenoura: idem a abobrinha. Sobre a última, são incrivelmente doces* e a cor é viva, bem alaranjada mesmo.

Tomate: A infinidade é incrível e nem sei dizer quantos são. Basta chegar numa barraca de feira para ver que tem de todos os tamanhos e formatos. Como estamos na época de tomate, a cor vermelha predomina nas feiras. São brilhantes, suculentos e doces* (outra vez). Faz-se de tudo com esta gracinha. Salada caprese faz parte da refeição neste período do ano.

Azeitona: Outra coisa acida que eu não morria de amores, até eu vim pra cá e degustei a primeira azeita preta. Amor a primeira mordida. Mas as verdes também são ótimas. Vendidas de diversas formas, já vêem temperadas conforme o gosto. As produzidas na região da Puglia estão entre as minhas preferidas.

Cerejas: Vou repetir o jargão: “Impossível comer somente uma”. Existem vários tipos. Os italianos costumam fazer festas, le Sagre, no período das colheitas atraindo grande quantidade de turistas. As minhas preferidas são as marostica, aqui da região do Veneto, e tem a tradição da sagra desde 1933. No próximo dia 5 haverá a apresentação da produção local com premiação o melhor produtor. Entre os atrativos estão a distribuição de cestinhas para os visitantes da feira. A minha gula diz que eu vou!

Figo: A fruta, que na verdade é uma flor, é tão doce* que chega a dar estalinhos nos ouvidos quando a engolimos. E tem por tudo quanto é parte, tipo manga no Brasil.

Caqui: Nunca entendi a paixão da minha mãe por esta fruta até a primeira experiência em solo italiano. Existe o caqui mole e o duro e a minha preferência é pelo primeiro. Extremamente doce*, com a casca que é mais uma membrana fina tentando proteger aquela carne mórbida e suculenta. Pronto, deveriam trocar o posto de fruto proibido da maça pelo caqui. A árvore fica linda na época de frutos, totalmente pelada e aquelas "bolas" laranjadas enfeitando como uma árvore de natal. Infelizmente vai demorar até novembro para devora-los novamente.

Melão: Tentei lembrar de uma vez que gostei de comer esta fruta no Brasil e não lembrei. Já na Bota, mamma mia, que delícia. Os vindos do sul são melhores ainda. Tem os branquelos como conhecemos no Brasil, e os de carne alaranjada, divinos. No verão é muito comum comer presunto cru com melão, é uma refeição bastante refrescante.

Berinjela: Ok, é a única coisa que não gosto mesmo. Nem aqui nem no Brasil. Acho que em nenhum outro lugar vou gostar. Ma va bene, já tem tantas outras coisas para gostar que, se esta ficar de fora, não faz mal.

*Não sei explicar o termo. Tem que vir aqui e provar!... Hahahahaha sacaniei.

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Ciao a tuti